
O projeto para ampliar a proporção de etanol anidro na gasolina brasileira para 35%, criando o chamado E35, continua avançando. Integrantes do comitê responsável pela iniciativa informaram que uma nova fase de testes está prevista para começar em setembro, enquanto ainda são definidos os critérios técnicos que orientarão as avaliações.
Antes disso, o governo Lula pretende acompanhar os efeitos da adoção do E32, combustível com 32% de etanol anidro, que começará a ser comercializado a partir de agosto por um período inicial de 180 dias. A expectativa é que esse intervalo forneça informações sobre o desempenho do novo combustível em diferentes motores e componentes dos veículos.
Entre os modelos que podem enfrentar maiores dificuldades estão automóveis mais antigos movidos exclusivamente a gasolina, motocicletas sem tecnologia flex e veículos importados de marcas de luxo, que podem não ter sido projetados para operar com uma concentração maior de etanol.
Inicialmente, a adoção do E35 estava prevista apenas para o fim da década, conforme o cronograma estabelecido durante a tramitação da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024. No entanto, além dos objetivos ambientais, a proposta passou a integrar as estratégias do governo federal para tentar conter eventuais aumentos no preço da gasolina após a retomada da guerra no Irã.
A legislação determina que qualquer aumento na proporção de etanol na gasolina dependa de comprovação técnica. No caso da implementação do E30, que entrou em vigor em agosto de 2025, os testes foram conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
Durante essas avaliações, veículos a gasolina de diferentes anos de fabricação apresentaram poucas falhas de funcionamento. Já entre as motocicletas foram observados mais problemas, principalmente relacionados à partida do motor.
Como parte das medições de dirigibilidade e desempenho em partidas a frio, o IMT também utilizou combustível com 32% de etanol. Os resultados dessas análises serviram como base para a decisão do governo de autorizar a adoção do E32.
Apesar disso, especialistas destacam que os estudos realizados não incluíram testes de longa duração, considerados importantes para verificar possíveis desgastes provocados pelo aumento da concentração de etanol ao longo dos anos de uso.
Modelos lançados há cerca de 15 anos, como veículos equipados apenas com motores a gasolina, foram desenvolvidos para operar com combustível contendo 25% de etanol anidro (E25). Para avaliar os efeitos do E32 nesses automóveis, seria necessário realizar simulações de uso por períodos prolongados.
Atualmente, a gasolina E25 está disponível principalmente nas versões premium, que possuem maior índice de octanagem e são indicadas para veículos de alto desempenho. Além de apresentarem preço mais elevado, esses combustíveis especiais não são facilmente encontrados em todos os postos de abastecimento.
Especialistas ressaltam ainda que a gasolina premium não deve ser confundida com a gasolina aditivada. Embora contenha aditivos diferentes, a versão aditivada mantém a mesma proporção de etanol presente na gasolina comum.
Enquanto o governo busca acelerar o cronograma da nova mistura, entidades responsáveis pelos testes defendem que as avaliações de durabilidade sejam conduzidas de forma rigorosa, evitando a antecipação de resultados que possam comprometer a segurança e a confiabilidade do novo combustível. E mais: Michelle Bolsonaro critica Ciro Gomes e afirma que direita do Ceará está “vendida”. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Folha de SP)
