
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que substituiu Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (1º) que o déficit atribuído aos Correios não deve ser confundido com prejuízo da empresa. A declaração foi dada durante debate econômico na GloboNews, com representantes das três campanhas presidenciais mais bem posicionadas nas pesquisas.
“Esse resultado que estamos chamando de déficit não podemos confundir com prejuízo ou lucro da empresa. Se a empresa faz investimento, isso é considerado déficit na contabilidade pública”, afirmou Durigan, representante da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No sábado (29), os Correios divulgaram prejuízo líquido de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. Com o resultado, a estatal chegou ao 16º trimestre consecutivo com déficit.
A declaração provocou reação de Daniela Marques, representante de Flávio Bolsonaro (PL), ex-presidente da Caixa e coordenadora econômica da campanha. Ela defendeu a privatização dos Correios e criticou os aportes realizados pelo governo.
“No governo do presidente Bolsonaro, mandamos um projeto de privatização dos Correios para a Câmara. Com a pandemia, registramos lucro em todas as estatais. Depois, foram necessários R$ 5 bilhões, mais R$ 5 bilhões e agora R$ 6 bilhões de aportes. Isso é um tapa na cara do brasileiro”, afirmou Daniela.
Segundo ela, os resultados mostram que a empresa não consegue se sustentar financeiramente.
“Isso é resultado de um time que não está entregando resultado. Se eu te entregar os Correios por R$ 1, você leva R$ 9 bilhões em dívidas. Eles não são vendáveis mais”, disse.
Durigan reconheceu as dificuldades da estatal, mas atribuiu parte dos problemas ao período em que os Correios permaneceram no Programa Nacional de Desestatização (PND), o que, segundo ele, teria limitado os investimentos.
“Esse problema começa quando os Correios foram colocados no PND. Isso impedia que a empresa fizesse investimentos. Veio a pandemia, todas as empresas de logística se modernizaram para atender a essa demanda, e os Correios ficaram para trás”, afirmou.
O ministro disse que o governo trabalha para modernizar a empresa e não descarta parcerias com a iniciativa privada. “Hoje estamos fazendo um trabalho com os Correios e, de fato, não é algo que a gente tenha alegria em fazer. Colocamos R$ 6 bilhões para que os Correios possam se modernizar”, afirmou.
“Estamos recuperando os Correios sem nenhuma dificuldade para discutir quais parcerias com a iniciativa privada os Correios precisam fazer”, declarou.
Durigan também citou o resultado conjunto das estatais. “Se você olhar para o panorama de todas as estatais, de 2024 para 2025, foram R$ 170 bilhões de lucro das estatais”, afirmou.
A discussão sobre os Correios também envolve a chamada “taxa das blusinhas”. Uma comissão mista do Congresso analisa uma proposta que poderia dar à estatal exclusividade na entrega de compras internacionais de até US$ 50 isentas.
Durigan afirmou, porém, que essa exclusividade não representa a posição do governo. “Não é posição do governo que, na questão da taxa das blusinhas, tudo fique com os Correios, como era no passado”, afirmou.
Questionado sobre a discussão no Congresso, o ministro disse que o assunto não havia sido tratado diretamente com ele. E mais: Vorcaro diz à PF que Galípolo e BC incentivaram fusão do Master com o BRB. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Gazeta do Povo)
