Os investimentos do governo Lula em publicidade institucional durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostram ampla concentração de recursos em grandes conglomerados de comunicação. Dados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) indicam que o Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões entre janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026. A reportagem é do Poder360.

O montante corresponde aos valores pagos para divulgação de campanhas oficiais em diferentes plataformas da empresa, incluindo televisão, jornais impressos, revistas, internet e serviços de streaming. O valor representa 25,6% de tudo o que foi destinado pelo Palácio do Planalto às ações de publicidade no período.

Os números divulgados pelo veículo consideram apenas despesas realizadas diretamente pela Secom e não incluem gastos feitos por estatais, empresas de economia mista, como a Petrobras, e ministérios.

Segundo dados históricos disponíveis, entre 2000 e 2016, o Grupo Globo recebeu R$ 10,2 bilhões em publicidade estatal federal, considerando administração direta e indireta. Os valores citados não tiveram correção inflacionária.

Os dados mostram ainda crescimento dos desembolsos do governo em publicidade ao longo do mandato. O total gasto pela Secom chegou a R$ 954,5 milhões em aproximadamente três anos e meio de gestão. A divisão por período ficou da seguinte forma:

2023 – R$ 175,9 milhões;
2024 – R$ 234,9 milhões;
2025 – R$ 365,7 milhões;
2026 (até 15 de junho) – R$ 178 milhões.

Desde o início do atual mandato, a Globo aparece com ampla vantagem em relação aos demais grupos de mídia. O valor recebido pela empresa da família Marinho supera em 118% o montante destinado ao Grupo Record, que aparece na segunda posição com R$ 122 milhões. Em seguida está a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, que recebeu R$ 86 milhões.

Outro levantamento também reuniu diversos veículos de comunicação, entre emissoras de televisão, jornais, revistas, portais e sites. Entre eles está o UOL, ligado ao Grupo Folha, que recebeu R$ 7,3 milhões em recursos oriundos do Planalto. Veja o ranking ao fim da reportagem.

Os números passaram a integrar uma representação protocolada pelo Partido Liberal (PL) no Tribunal Superior Eleitoral em 24 de junho. A legenda solicitou a suspensão das campanhas publicitárias do governo federal. O caso ficou sob relatoria do ministro André Mendonça.

Na ação, o partido argumenta que houve utilização da estrutura pública para fortalecer a imagem política do presidente por meio de programas, eventos e canais oficiais.

O documento também sustenta que os gastos com publicidade institucional teriam ultrapassado em R$ 42 milhões o limite previsto para o primeiro semestre de 2026.

Os limites de despesas com publicidade institucional são definidos pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). A regra utiliza como referência a média mensal dos gastos registrados nos três anos anteriores ao pleito, com correção pelo IPCA, estabelecendo um teto para o primeiro semestre do ano eleitoral.

Em resposta, a Secom afirmou em nota que “atua em estrita observância à legislação eleitoral”. Disse também que os limites foram respeitados e que prestará todas as informações necessárias “no foro competente”. E mais: Empresa de SC ultrapassa gigantes e vira a 2ª maior marca de energéticos do Brasil. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Poder360)

Grupos que mais receberam dinheiro do Planalto (Secom)
– Jan/2023 a Jun/2026

Grupo Globo – R$ 267,1 milhões
Grupo Record – R$ 122,6 milhões
Facebook/META – R$ 85,9 milhões
Google Brasil – R$ 80,9 milhões
SBT/SBT News – R$ 68,7 milhões
Grupo Bandeirantes – R$ 49,8 milhões
Kwai – R$ 26,3 milhões
Tik Tok – R$ 13,6 milhões
Rede TV – R$ 11,3 milhões
Grupo Folha/UOL – R$ 9,4 milhões
X (Twitter) – R$ 6,9 milhões
Amazon/Prime Video – R$ 6,1 milhões
CNN Brasil/Itatiaia – R$ 6,1 milhões
Grupo Jovem Pan – R$ 4,4 milhões
Grupo Metrópoles – R$ 4,4 milhões
LinkedIn – R$ 4,1 milhões
EBC – R$ 4,0 milhões
JCDecaux – R$ 3,7 milhões
Carta Capital – R$ 3,7 milhões
Canal Rural – R$ 3,4 milhões
Terra – R$ 3,4 milhões
Uber – R$ 2,9 milhões
Netflix – R$ 2,9 milhões
MAX – R$ 2,7 milhões
Grupo Massa – R$ 2,7 milhões
Terra Viva – R$ 2,7 milhões
TV Cultura – R$ 2,6 milhões
Veja/Abril – R$ 2,6 milhões
Brasil 247 – R$ 2,6 milhões
Pinterest – R$ 2,6 milhões

Veículos mais receberam dinheiro do Planalto (Secom)
– Jan/2023 a Jun/2026

TV Globo e afiliadas – R$ 244,00 milhões
Record e afiliadas – R$ 112,90 milhões
SBT e afiliadas – R$ 67,40 milhões
Band e afiliadas – R$ 42,80 milhões
RedeTV! e afiliadas – R$ 11,70 milhões
Grupo UOL – R$ 7,30 milhões
Rede CBN – R$ 7,30 milhões
CNN Brasil – R$ 5,70 milhões
globoplay – R$ 4,70 milhões
globo.com + g1 – R$ 4,60 milhões
Grupo Jovem Pan – R$ 4,40 milhões
R7 – R$ 4,40 milhões
Metrópoles – R$ 4,40 milhões
EBC – R$ 4,00 milhões
Carta Capital – R$ 3,70 milhões
O Globo – R$ 2,80 milhões
Valor Econômico – R$ 2,70 milhões
TV Cultura – R$ 2,60 milhões
Brasil 247 – R$ 2,60 milhões
Veja – R$ 2,50 milhões
Grupo Estadão – R$ 2,10 milhões
Grupo Folha – R$ 2,00 milhões
Portal Fórum – R$ 1,50 milhões
DCM – R$ 1,30 milhões
CazéTV – R$ 1,30 milhões
Rede Vida – R$ 1,20 milhões
IG – R$ 1,20 milhões
Exame – R$ 1,10 milhões
TV Gazeta (C. Líbero) – R$ 0,90 milhões
grupo Extra – R$ 0,60 milhões
IstoÉ – R$ 0,60 milhões
Poder360 – R$ 0,60 milhões
Brasil de Fato – R$ 0,60 milhões
revista Piauí – R$ 0,30 milhões
Jornal GGN – R$ 0,20 milhões
Globo Rural – R$ 0,10 milhões
Rádio Globo RJ – R$ 0,09 milhões
Época Negócios – R$ 0,07 milhões
revista PEGN – R$ 0,07 milhões
BH FM – R$ 0,02 milhões
Gazeta do Povo – R$ 0,01 milhões

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