
A Marisa (AMAR3) registrou prejuízo líquido de R$ 68,37 milhões no segundo trimestre de 2026, resultado que contrasta com o lucro de R$ 2,1 milhões obtido no mesmo período do ano passado. A companhia também apresentou queda de 2,1% na receita líquida, que ficou em R$ 386,23 milhões.
Outro indicador que recuou foi o Ebitda após os efeitos do IFRS 16. O resultado somou R$ 75,92 milhões, uma redução de 31,7% em relação ao segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda caiu 8,5 pontos percentuais, para 19,7%.
Para o CEO da companhia, Edson Salles, porém, os números consolidados precisam ser analisados em conjunto com o desempenho das lojas que permanecem em operação. O executivo considera o resultado recorrente um indicador mais relevante para avaliar a evolução do negócio.
“O que vai me trazer o resultado do futuro é sempre o recorrente”, diz Salles. “É quando eu olho para a mesma base, as vendas de mesmas lojas, que de fato vai me dar segurança.”
Nesse recorte, o desempenho foi positivo. A receita líquida das lojas comparáveis cresceu 3,2%, chegando a R$ 379,4 milhões. Desconsiderando o impacto da Copa do Mundo, a expansão teria alcançado 5,3%.
O lucro bruto também apresentou avanço, de 5,2%, para R$ 194,63 milhões. A margem bruta dos produtos aumentou 1,1 ponto percentual e atingiu 51,3%. Já o Ebitda após IFRS 16 cresceu 16,4%, para R$ 74,55 milhões, enquanto a margem passou para 19,6%, alta de 2,2 pontos percentuais.
Salles está há dois anos no comando da empresa e avalia que a estratégia adotada nesse período começa a produzir os efeitos esperados.
Segundo ele, a companhia dividiu seu processo de recuperação em três etapas: 2024 foi dedicado à reestruturação, 2025 à estabilização e 2026 ao aumento da rentabilidade.
Uma das principais medidas foi reduzir o número de pontos de venda considerados pouco rentáveis. Desde o final de 2024, 20 unidades foram encerradas, deixando a Marisa com 214 lojas atualmente.
O executivo afirma que o fechamento é adotado somente depois de outras alternativas para recuperar a rentabilidade de uma unidade. “Mesmo com ajustes de custo e renegociações de aluguel, às vezes a loja continua não sendo rentável. A última opção é fechar. Quando entendemos que o mercado mudou, que o potencial de venda é menor e que o esforço e o investimento necessários seriam muito grandes, não vale a pena manter aquela unidade”, explica Salles.
Entre os encerramentos esteve a tradicional unidade localizada na Avenida Paulista, na região próxima aos Jardins, uma das áreas mais valorizadas de São Paulo. A empresa decidiu manter, entretanto, a loja situada nas proximidades da Avenida Brigadeiro Luís Antônio.
A estratégia atual não prevê novas aberturas nem ampliação das unidades existentes. Em vez disso, a Marisa pretende aprimorar os estabelecimentos que já possui e transformá-los no que Salles chama de “lojas almas”: espaços mais atrativos, com iluminação melhor, vitrines organizadas, ofertas concentradas em pontos de destaque e categorias capazes de chamar a atenção do consumidor logo na entrada, como o segmento infantil. (Fotos: divulgação, Pixabay; Fonte: Exame)
