
A Prudential iniciou um processo para encontrar um comprador para sua operação no Brasil e avalia deixar o mercado nacional após quase 30 anos de atuação. Conforme reportagem da revista Exame, a seguradora teria colocado o negócio à venda por cerca de US$ 3 bilhões, embora investidores avaliem que o valor real do ativo esteja próximo de US$ 2 bilhões.
O processo está em estágio inicial e é conduzido pelo banco Morgan Stanley. A alta avaliação pedida pela companhia pode limitar o número de interessados, mas algumas grandes seguradoras internacionais já aparecem como possíveis compradoras, entre elas Generali, CNP, Zurich, Swiss Re, Chubb, AXA, HDI, Tokio Marine e AIG. Não há informações sobre o motivo específico para a decisão da empresa.
Em 2025, a operação brasileira da Prudential alcançou resultados expressivos, com R$ 7,5 bilhões em prêmios emitidos, lucro líquido recorde de R$ 1,2 bilhão e mais de 6 milhões de pessoas seguradas. No segmento de seguros de vida em grupo, ela possui quase 10% de participação de mercado, a segunda maior do setor.
A empresa adotou no Brasil uma estratégia diferente da maioria das seguradoras tradicionais, concentrando sua atuação principalmente em seguros de pessoas, com destaque para produtos de vida individual. No segmento de seguros de vida em grupo, a companhia detém quase 10% de participação de mercado, ocupando a segunda posição no setor.
A expansão da Prudential no país foi baseada em um modelo de venda consultiva semelhante ao utilizado pela empresa nos Estados Unidos. A seguradora criou uma rede própria de consultores financeiros, complementada por franquias e representantes comerciais, em vez de depender exclusivamente do sistema tradicional de corretores.
Nos últimos anos, porém, a companhia ampliou seus canais de distribuição por meio de acordos com bancos, plataformas digitais, como Mercado Pago, e clientes corporativos. Também houve uma expansão do portfólio, com novos produtos de proteção e seguros voltados a diferentes perfis de consumidores.
A possível saída da Prudential ocorre em um período de crescimento do setor de seguros no Brasil. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima que o mercado brasileiro movimente aproximadamente R$ 808 bilhões em 2026, crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior.
O avanço tem sido impulsionado principalmente pelos seguros de pessoas e de danos. Até abril, os seguros de vida apresentaram alta anual de 10,7%, enquanto o segmento de automóveis ultrapassou R$ 20 bilhões em prêmios emitidos.
Apesar da expansão, o setor brasileiro ainda apresenta participação inferior à observada em mercados desenvolvidos. Segundo a CNseg, os seguros devem representar cerca de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026, abaixo da média de 6,2% registrada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2024.
Em países como Estados Unidos, Reino Unido e França, a participação dos prêmios de seguros supera 10% do PIB, indicando espaço para crescimento do mercado brasileiro. (Foto: divulgação; Fonte: Exame)
