No discurso oficial, a palavra “gratuito” costuma ser um dos principais atrativos de programas e serviços lançados pelo poder público. A expressão transmite a ideia de acesso livre e sem custos para a população. Na prática, porém, nenhuma iniciativa estatal surge sem despesas. Seja na área da saúde, educação, cultura ou tecnologia, os recursos empregados saem dos cofres públicos e são sustentados pelos tributos pagos pelos contribuintes.

Por trás de cada plataforma, aplicativo ou programa governamental há gastos com desenvolvimento, manutenção, infraestrutura, pessoal e divulgação. Embora o cidadão não desembolse dinheiro diretamente no momento do uso, a conta acaba sendo dividida entre milhões de brasileiros por meio da arrecadação de impostos.

Dito isso, o governo Lula lança neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, um serviço de streaming “gratuito” dedicado exclusivamente a produções audiovisuais nacionais. A apresentação oficial ocorrerá durante o Rio2C, no Rio de Janeiro, com a participação de Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, cantora Margareth Menezes.

Desenvolvida pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a iniciativa tem como justificativa ampliar o ‘alcance’ do cinema e da produção audiovisual brasileira, oferecendo um catálogo diversificado por meio de uma plataforma de vídeo sob demanda conectada ao sistema Gov.br.

Neste primeiro momento, o acesso estará disponível apenas pela versão web. Segundo o governo, os aplicativos para dispositivos iOS e Android deverão ser disponibilizados nas próximas semanas.

A estreia da plataforma acontece com um acervo que ultrapassa 560 títulos, incluindo curtas, médias e longas-metragens, além de séries e documentários. O catálogo reúne desde obras mais antigas da cinematografia nacional até produções mais recentes, contemplando diferentes períodos históricos, estilos e regiões do país.

Durante compromisso oficial realizado nesta sexta-feira (29), em Aracaju (SE), Lula comentou a novidade e comparou o projeto aos principais serviços de streaming do mercado. “Vai ser a nossa Netflix brasileira que a gente vai liberar aqui neste país, com todos os filmes brasileiros”, disse.

A Tela Brasil também contará com ferramentas voltadas à inclusão e acessibilidade, oferecendo recursos como audiodescrição, legendas descritivas e tradução em Libras.

Entre os filmes disponíveis no lançamento estão clássicos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), dirigido por Glauber Rocha, “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues, e “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral. O catálogo ainda inclui títulos como “O Que é Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, “Qual Queijo Você Quer?” (2011), dirigido por Cíntia Domit Bittar, e “Refavela 40” (2019), de Mini Kerti, entre outras produções brasileiras.

Além da exibição dos conteúdos, o serviço inclui recursos de acessibilidade, como legendas descritivas, audiodescrição e tradução em Libras. A expectativa é que novos títulos sejam incorporados ao catálogo de forma contínua, ampliando a oferta ao longo dos próximos meses. E mais: Urgente: Governo Lula reage com revolta à decisão dos EUA contra PCC e CV. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação)

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