Um exame técnico conduzido pela Polícia Federal trouxe novos elementos sobre um dos personagens mais emblemáticos da história brasileira. Divulgado nesta terça-feira (21), em Ouro Preto, o resultado da perícia aponta para a confirmação da autoria de anotações atribuídas a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em um livro raro preservado em museu.

O exemplar analisado, intitulado “Recueil des Loix Constitutives des États-Unis de l’Amérique”, reúne textos constitucionais norte-americanos produzidos entre 1776 e 1789. A obra, escrita em francês, contém observações feitas à margem das páginas, possivelmente registradas pelo próprio Tiradentes, que teria destacado trechos de maior interesse e, com apoio de aliados, traduzido partes do conteúdo.

A investigação não teve caráter criminal, mas histórico. O trabalho foi solicitado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que acionou o Instituto Nacional de Criminalística para realizar exames grafológicos detalhados, por meio do Serviço de Perícias Documentoscópicas. O objetivo era verificar a autenticidade das anotações e sua possível ligação com Tiradentes.

Segundo Alex Calheiros, diretor do Museu da Inconfidência, o impacto da confirmação vai além da curiosidade documental:
“Se confirmada a autoria das anotações, o valor histórico, patrimonial e afetivo do bem se eleva enormemente, oferecendo novas camadas de entendimento sobre a atuação de Tiradentes e o pensamento iluminista que influenciou a Inconfidência”.

O livro carrega também um passado simbólico. Classificado como proibido à época, ele estava em posse de Tiradentes no momento de sua prisão, em 1792. Posteriormente, foi incorporado aos chamados autos de devassa, registros oficiais do processo que investigou os envolvidos na conspiração contra a Coroa Portuguesa.

Após décadas guardado na Biblioteca Pública de Florianópolis, o exemplar foi transferido, em 1980, para o acervo do Museu da Inconfidência, onde permanece até hoje.

Para Fernanda Castro, presidente do Ibram, a confirmação tem um significado quase íntimo:
“Confirmar a caligrafia de Tiradentes neste livro é como escutar sua voz mais uma vez por meio das margens de uma obra que influenciou uma das mais importantes revoltas contra o domínio colonial”.

Mais do que validar um registro histórico, a descoberta abre uma nova janela para compreender as ideias que alimentaram o movimento da Inconfidência Mineira e oferece uma visão mais direta do pensamento de Tiradentes.

Se confirmada, a descoberta transforma o livro em um testemunho direto do pensamento de Tiradentes, com impacto relevante para a historiografia brasileira. E mais: Fórmula 1 sofre intervenção da FIA e ganha novas regras já em Miami. clique AQUI para ver. (Foto: Museu da Inconfidência / Ibram / Divulgação) 

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