A companhia aérea Azul Linhas Aéreas estuda ampliar os ajustes em sua malha aérea diante da pressão exercida pelos custos do combustível de aviação. Segundo o presidente da empresa, John Rodgerson, a estratégia busca preservar a saúde financeira da companhia em meio às incertezas provocadas pela escalada das tensões no Oriente Médio.

De acordo com o executivo, o setor aéreo vem reduzindo a oferta de voos para adequar a operação a um cenário de despesas mais elevadas. A Azul pretende seguir esse movimento e poderá aprofundar os cortes caso o conflito envolvendo o Irã continue impactando os preços do petróleo e dos combustíveis.

“Quando fizemos os cortes iniciais, pensávamos que a guerra já teria terminado. Mas ela continua, então vamos seguir reduzindo algumas frequências quando houver oportunidade, para garantir que estamos operando apenas os voos que fazem sentido”, afirmou Rodgerson em entrevista à Reuters.

Até o momento, a maior parte das mudanças ocorreu em rotas internacionais. A tendência agora é que os ajustes avancem sobre o mercado doméstico, principalmente por meio da redução do número de voos em determinados trechos, sem necessariamente eliminar cidades atendidas pela companhia.

Como exemplo, Rodgerson citou rotas com diversas partidas diárias. “Você voa para Curitiba seis vezes por dia? Talvez, com esses preços de combustível, devessem ser quatro”, declarou. Segundo ele, a empresa busca manter a importância estratégica de seus principais centros de conexão localizados em Campinas, Belo Horizonte e Recife.

O executivo destacou ainda que a redução da utilização das aeronaves pode ser uma alternativa antes da suspensão de operações em determinados destinos. “Você não vai querer utilizar uma aeronave 13 ou 14 horas por dia quando o preço do combustível dobrar”, afirmou.

Enquanto as companhias aéreas monitoram os custos, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV) a partir de junho. O corte representa uma diminuição de R$ 0,93 por litro em relação ao valor praticado no mês anterior.

Segundo a estatal, a redução reflete uma melhora no cenário internacional. “O reajuste (para baixo) anunciado reflete a atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais do Querosene de Aviação, ocasionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio”, informou a empresa às distribuidoras.

A medida ocorre após um movimento oposto registrado em abril, quando o combustível teve aumento de 54,63%. Na ocasião, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas informou que o gasto com combustível passou a representar cerca de 45% dos custos das companhias, ante aproximadamente 30% antes do reajuste.

Apesar da recente queda, o mercado segue atento aos desdobramentos da crise envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O país persa exerce papel relevante na cadeia global de petróleo, e qualquer ameaça ao fluxo de exportações costuma gerar preocupação entre investidores.

Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Eventuais restrições ao tráfego marítimo na região podem reduzir a oferta global da commodity e pressionar ainda mais os preços internacionais.

Como gasolina, diesel e querosene de aviação são derivados do petróleo, oscilações no valor do barril acabam influenciando os preços dos combustíveis em diversos países, incluindo o Brasil.

Além do impacto sobre as companhias aéreas, a alta dos combustíveis também pode elevar custos logísticos e gerar reflexos em diferentes setores da economia, afetando produtos e serviços consumidos pela população. E mais: Produtores do Sul conseguem vitória na Justiça contra o Banco do Brasil. Clique AQUI para ver. (Foto: redes sociais; Fonte: Metrópoles)

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