Três meses após a queda de Nicolás Maduro, o cenário político venezuelano passa por uma transformação acelerada e discreta. À frente do país, Delcy Rodríguez tem conduzido uma ampla reformulação no núcleo do poder, atingindo diretamente figuras que sustentaram o antigo governo.

Sem anúncios detalhados ou explicações públicas, aliados próximos do ex-presidente vêm sendo afastados, presos ou substituídos. A movimentação ocorre em paralelo à reestruturação de ministérios, comandos militares e setores estratégicos da economia, especialmente ligados ao petróleo.

Embora inicialmente tenha assumido o cargo com discurso cauteloso, Rodríguez agora avança na consolidação de sua influência. Nos bastidores, sua gestão conta com respaldo dos Estados Unidos, que também pressionam por mudanças e cooperação. Integrantes do governo venezuelano descrevem o momento como uma condução política sob forte coerção externa, comparando a situação a governar “com uma arma apontada para a cabeça”.

As ações atingem desde empresários e políticos até familiares de Maduro, muitos dos quais perderam espaço em contratos públicos e posições de destaque. Ao mesmo tempo, novos nomes alinhados à atual liderança, ganham espaço, enquanto investidores estrangeiros ampliam presença no país.

Apesar das mudanças, críticas persistem. Setores da oposição afirmam que o processo não representa uma abertura democrática, mas sim uma troca de comando dentro de um mesmo modelo de poder centralizado.

Em meio a esse rearranjo, a relação com os Estados Unidos também se redefine. Segundo a Casa Branca, trata-se de uma parceria estratégica. “Estamos lidando muito bem com a presidente Delcy Rodríguez”, afirmou a porta-voz Anna Kelly. “O petróleo está começando a fluir, e grandes quantias de dinheiro, inéditas em muitos anos, em breve irão ajudar muito o povo da Venezuela.”

Internamente, porém, o clima é de incerteza entre antigos aliados do chavismo. Muitos evitam aparições públicas, relatam vigilância e temem ser os próximos alvos das mudanças em curso.

A velocidade e o alcance dessas decisões já colocam a atual gestão como protagonista de uma das maiores reconfigurações políticas recentes do país com impactos que ultrapassam fronteiras e atingem diretamente o mercado global de energia. Diante desse cenário, a Venezuela entra em uma nova fase marcada por incertezas, concentração de poder e mudanças profundas que ainda deixam em aberto os rumos políticos e institucionais do país. E mais: Brinquedo desaba em parque no RS e deixa 11 pessoas feridas. Clique AQUI para ver. (Foto: Redes Sociais)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *