O setor frigorífico brasileiro já começa a sentir os efeitos do esgotamento da cota de exportação de carne bovina destinada à China. Com o limite anual praticamente atingido, algumas empresas reduziram o ritmo de produção e concederam férias coletivas a funcionários, enquanto analistas avaliam que parte da carne poderá ser redirecionada ao mercado interno, pressionando os preços para baixo.

A China estabelece uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina com tarifa de 12%. Após esse volume ser alcançado, passa a incidir uma alíquota de 55% sobre os embarques excedentes, tornando as exportações economicamente pouco viáveis.

Segundo levantamento da consultoria StoneX, o Brasil atingiu esse limite nos primeiros dias de julho. No fim de junho, a utilização da cota já estava em 98,5%. Com embarques superiores a 45 mil toneladas nos três primeiros dias do mês, a consultoria concluiu que o teto foi alcançado.

Diante desse cenário, frigoríficos começaram a ajustar suas operações. A JBS concedeu férias coletivas de 20 dias, com possibilidade de prorrogação por mais dez, nas unidades de Água Boa e Pedra Preta, em Mato Grosso, a partir de 1º de julho.

A medida faz parte de um ajuste temporário na produção, permitindo que parte da carne produzida em outras plantas habilitadas para exportação à China seja destinada ao mercado brasileiro. Procurada, a empresa não comentou as mudanças.

A Frigol também adotou medidas semelhantes. A unidade de Água Azul do Norte, no Pará, suspendeu as atividades por 15 dias. A decisão reflete a forte dependência da planta em relação ao mercado chinês, que absorve cerca de 70% da produção local.

Além da China, o setor acompanha outra preocupação no comércio exterior. A partir de 3 de setembro, pode entrar em vigor a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia. Apesar disso, especialistas consideram que ainda há possibilidade de reversão da medida antes de sua implementação.

Enquanto buscam novos mercados para absorver parte da produção, as empresas também estudam ajustes operacionais para minimizar os impactos da redução das vendas à China.

No caso da União Europeia, as exigências concentram-se em critérios sanitários e regulatórios, como rastreabilidade dos animais, documentação e cumprimento das normas sobre o uso de antimicrobianos.

Já a situação envolvendo a China tem natureza essencialmente comercial, relacionada ao esgotamento da cota de importação e ao forte aumento das tarifas para os embarques excedentes.

Nesse contexto, empresas tendem a renegociar contratos e ampliar as vendas para outros mercados internacionais. Entre os destinos que podem absorver parte da produção brasileira estão Estados Unidos, Chile, México, Hong Kong, Rússia, Filipinas, países do Oriente Médio e do Sudeste Asiático.

Mesmo com essa diversificação, representantes do setor reconhecem que substituir o mercado chinês não é uma tarefa simples, devido ao elevado volume de compras realizado pelo país asiático.

Além da JBS e da Frigol, outros frigoríficos instalados em Mato Grosso — estado que lidera as exportações brasileiras de carne bovina — também estudam conceder férias coletivas e promover ajustes temporários na produção enquanto o setor busca alternativas para enfrentar o novo cenário do comércio internacional. E mais: Casa Branca defende jogadores argentinos sobre faixa das Malvinas: ‘liberdade de expressão’. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: O Globo)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *