André Mendonça mudou a forma como conduz reuniões e conversas privadas depois de tomar conhecimento de que teria sido monitorado por agentes da Polícia Federal (PF). Pelo menos seis relatórios de inteligência produzidos pela corporação teriam como objeto decisões e movimentações do magistrado.

Desde que tomou conhecimento do material, Mendonça passou a adotar medidas para dificultar eventuais tentativas de captação de conversas. Em encontros reservados, ele solicita que os visitantes deixem os celulares dentro de uma caixa blindada, equipamento capaz de bloquear os sinais dos aparelhos.

O ministro também passou a manter um sistema de som ligado durante essas reuniões, com música erudita tocando no ambiente. A medida teria como objetivo dificultar a utilização de equipamentos destinados à captação de áudio.

Os relatórios vieram a público em 3 de setembro, quando o ministro Alexandre de Moraes apresentou o material como fundamento para solicitar que Mendonça fosse investigado no chamado inquérito das Fake News.

Segundo as informações divulgadas, os documentos teriam sido elaborados por uma unidade de inteligência vinculada à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF. O material teria chegado à direção-geral da corporação entre 3 e 31 de agosto.

Os documentos apresentam características incomuns. Não possuem timbre ou assinatura e também não informam a data em que foram produzidos nem identificam os analistas responsáveis pela elaboração. Além disso, são classificados como “documento de trabalho” e fazem a ressalva de que não possuem valor probatório.

O conteúdo trata de decisões tomadas por Mendonça em duas investigações de grande repercussão: a Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e a Operação Compliance Zero, relacionada às irregularidades investigadas no caso Banco Master.

O material foi encaminhado oficialmente ao gabinete de Alexandre de Moraes pelo então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, às 18h45 de 1º de setembro.

A remessa ocorreu no mesmo dia em que Mendonça havia determinado o levantamento do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master. Entre as peças tornadas públicas estavam informações sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes.

Moraes afirmou ter recebido “notícias da existência” dos relatórios e determinou que a Polícia Federal encaminhasse o material ao seu gabinete. Dois dias depois, utilizou os documentos para solicitar a abertura de investigação contra Mendonça no inquérito das Fake News.

A reação de Mendonça ganhou novo peso nesta terça-feira (8), quando o ministro determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. E mais: Urgente: Fachin quer convencer Mendonça a abrir mão dos casos Master e INSS. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Poder360)

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