A avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu, em setembro, o pior resultado do ano na série histórica da Quaest. Segundo pesquisa divulgada nessa segunda-feira (7), 50% dos brasileiros desaprovam a administração federal, enquanto 43% dizem aprová-la. A diferença de sete pontos percentuais é a maior registrada pelo instituto em 2026.

A trajetória recente mostra uma deterioração gradual da percepção sobre o governo. A reprovação estava em 47% em julho, avançou para 48% em agosto e chegou aos atuais 50% em setembro. De acordo com a Quaest, o movimento contraria o padrão observado em outros governos em período semelhante do mandato, quando normalmente ocorre uma recuperação da avaliação.

Para Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, o índice de aprovação é um dos principais sinais para medir o desempenho eleitoral de um governo. Segundo ele, com a atual taxa de rejeição, a possibilidade de reeleição de Lula fica abaixo de 50%.

A piora não ocorreu de maneira uniforme entre os diferentes segmentos do eleitorado. No Sudeste, a desaprovação passou de 50% em julho para 56% em setembro. No Nordeste, tradicionalmente uma das regiões de maior apoio ao petista, o índice subiu de 29% para 35%.

Entre os homens, a reprovação aumentou de 50% para 57%. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, grupo que apresenta uma das mudanças mais expressivas, a avaliação negativa saltou de 46% para 55%.

Esse comportamento aparece também quando os entrevistados são questionados sobre seus maiores temores para a próxima eleição presidencial. A pesquisa aponta um empate nacional: 43% afirmam ter medo da continuidade de Lula no poder, enquanto a mesma proporção demonstra receio de uma volta da família Bolsonaro à Presidência.

O equilíbrio, porém, desaparece quando os dados são divididos por idade. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 51% dizem temer a permanência de Lula, enquanto 37% apontam preocupação com o retorno dos Bolsonaro.

Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, ocorre exatamente o contrário. Nesse grupo, 51% temem a volta da família Bolsonaro, contra 35% que demonstram receio da continuidade do atual governo.

Na faixa de 35 a 59 anos, os dois grupos aparecem empatados em 43%.

A mudança entre os mais jovens acompanha a piora da avaliação do governo nessa faixa etária. Desde julho, a desaprovação entre eleitores de 16 a 34 anos cresceu de 46% para 55%, enquanto a aprovação recuou para 38%. As duas tendências ajudam a explicar a alteração no equilíbrio dos temores eleitorais entre os jovens.

Nas intenções de voto para o primeiro turno, Lula permanece na liderança, com 36%. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 29%, seguido pelo escritor Augusto Cury (Avante), com 8%.

Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 3% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) tem 2%. Outros 10% dos entrevistados se declararam indecisos e 8% afirmaram que não pretendem votar em nenhum dos candidatos apresentados.

No segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatada. Os dois registram 41% das intenções de voto, dentro da margem de erro da pesquisa. Nesse cenário, 13% dizem que não votariam em nenhum dos dois e 5% permanecem indecisos.

A pesquisa Quaest foi realizada presencialmente entre 3 e 6 de setembro, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026. E mais: Agora: 2ª Turma do STF decide sobre decisão de Mendonça que afastou diretor da PF. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Exame)

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