
A Justiça de Santa Catarina decretou, na segunda-feira (10), a falência da indústria de móveis Três Irmãos, de Campo Alegre, no Planalto Norte do estado. A empresa acumulava um passivo estimado em R$ 133 milhões. A decisão também determinou o fechamento e a lacração da matriz e das unidades filiais.
A falência ocorreu após o fracasso do processo de recuperação judicial iniciado em 2024. As atividades da companhia estavam interrompidas desde 14 de maio deste ano.
Na decisão, o magistrado apontou uma série de problemas que comprometeram a recuperação da empresa. Entre eles estão débitos com credores de R$ 210 mil e € 175 mil, além da falta de informações sobre a utilização de R$ 3,25 milhões obtidos com a venda de ativos.
Também foram identificados problemas tributários, como o rompimento de acordos para pagamento parcelado de ICMS com o governo catarinense e pendências junto à Receita Federal.
Outro fator citado foi a movimentação considerada irregular de máquinas que pertenciam à sede da empresa, além do encerramento das operações.
A Três Irmãos começou sua trajetória em 1971, inicialmente como uma pequena marcenaria. Décadas depois, a companhia ampliou os negócios e, em 2009, passou a atuar também no mercado internacional.
O crescimento continuou nos anos seguintes. Em 2016, a empresa adquiriu uma unidade industrial em Caçador. Quatro anos depois, instalou um novo parque fabril em São Bento do Sul. Em seu período de maior expansão, chegou a empregar cerca de 500 trabalhadores.
A deterioração financeira, porém, foi acompanhada por uma disputa envolvendo o comando da companhia.
Sem matéria-prima, com 15 contêineres parados e sem registrar faturamento em junho, a antiga administração tentou transferir o controle para a Social Partners por meio de uma operação de turnaround. A proposta previa um aporte de R$ 5 milhões para reativar a produção e manter mais de 300 empregos diretos.
A operação não foi reconhecida pela Justiça. Conforme a sentença, o valor representava apenas 3,73% das dívidas da companhia e envolvia garantias consideradas inadequadas.
Entre as condições estava a possibilidade de alienação de máquinas consideradas estratégicas e a transferência de recebíveis relacionados à IKEA, multinacional apontada como principal cliente da fabricante.
Para o Judiciário, o modelo poderia criar uma espécie de “superpreferência”, fazendo com que determinados recursos fossem direcionados prioritariamente a uma operação em detrimento dos trabalhadores e dos demais credores.
A tentativa de mudança no comando acabou intensificando o conflito entre a antiga e a nova administração. O impasse envolveu acusações de fraude, bloqueios de contas bancárias e perda de confiança entre os envolvidos.
Com a paralisação das atividades e a recuperação judicial sem perspectiva de continuidade, a Justiça determinou a falência da empresa e a lacração de suas unidades. E mais: Jornalista da Globo que revelou elo do Master com Moraes detona nova decisão do Ministro. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fontes: A Tarde; Gazeta SBS)
