
A Justiça de Minas Gerais condenou uma construtora acusada de abandonar a obra de um hotel de luxo ligado à família Vorcaro, em Belo Horizonte, pouco antes da Copa do Mundo de 2014. A juíza do caso prevê pagamento de multas e indenizações por prejuízos causados ao empreendimento.
O processo foi movido pela SPE Cesto Incorporadora S.A., empresa que tem entre os sócios Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O projeto previa a construção do Hotel Golden Tulip Belo Horizonte, conhecido na capital mineira pelo grande prédio espelhado localizado na Avenida do Contorno, na região central da cidade.
Segundo os autos, a Albuquerque e Oliveira Engenharia Ltda., contratada em 2012 para executar a fachada em “pele de vidro” e revestimentos em alumínio composto, deveria concluir os trabalhos até maio de 2013. O contrato, que inicialmente tinha valor menor, chegou a aproximadamente R$ 8,7 milhões após aditivos.
A incorporadora afirmou à Justiça que a empresa atrasou sucessivamente o cronograma e abandonou o canteiro de obras em junho de 2014, poucos dias antes do início da Copa do Mundo, período em que o hotel teria alta demanda de hóspedes em Belo Horizonte.
A sentença destaca que a construtora recebeu mais de R$ 10 milhões ao longo da execução do projeto, mas deixou o empreendimento inacabado. Um laudo pericial anexado ao processo apontou diversos problemas estruturais e estéticos, incluindo vidros trincados, falhas em janelas, módulos desalinhados e ausência de itens obrigatórios de segurança contra incêndio.
Além das falhas técnicas, a magistrada também considerou irregularidades envolvendo protestos de notas fiscais e custos trabalhistas que acabaram sendo assumidos posteriormente pela incorporadora. A defesa da construtora foi considerada fora do prazo, o que levou à decretação de revelia no processo.
Na decisão de primeira instância, a juíza determinou o pagamento de duas multas contratuais de cerca de R$ 870 mil, cada uma relacionada à rescisão do contrato e outra pelo atraso na entrega da obra. Também foram fixadas indenizações por danos materiais, lucros cessantes e danos morais. Os valores finais ainda serão calculados em fase posterior do processo. Cabe recurso.
O empreendimento acabou se tornando um dos símbolos de obras inacabadas de Belo Horizonte. Conhecido popularmente como “elefante de vidro”, o prédio nunca entrou em funcionamento e permaneceu fechado desde o período da Copa.
Henrique Vorcaro, um dos sócios da incorporadora, também apareceu recentemente no noticiário após ser preso preventivamente durante uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de irregularidades ligadas ao sistema financeiro. As investigações envolvem pessoas próximas ao empresário Daniel Vorcaro.
Mesmo após mais de uma década do projeto lançado para a Copa do Mundo, o hotel nunca abriu as portas e segue como um dos empreendimentos inacabados mais conhecidos da capital mineira. A disputa judicial agora tenta definir os prejuízos financeiros causados pelo abandono da obra. E mais: Crise no setor leva Estrela a pedir recuperação judicial após pressão financeira. Clique AQUI para ver. (Foto: Reprodução Google Maps)
