
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, passou os últimos meses fazendo declarações públicas que foram interpretadas por ministros da Corte como recados internos em meio ao avanço da crise envolvendo o Banco Master. A reportagem é da CNN.
As falas de Fachin ocorreram em diferentes eventos, entrevistas e cerimônias oficiais, sempre abordando temas como ética, autocorreção, transparência, integridade e distanciamento da política. Nos bastidores, parte dos ministros avalia que os discursos aumentaram a tensão dentro do tribunal em um momento delicado para a imagem da Corte.
Fachin e o decano Gilmar Mendes, aliás, tiveram uma discussão ríspida nos bastidores. Mendes chegou a dizer ao atual presidente do STF que ‘Barroso era mais elegante’, porque ‘não gostava de perder, mas aceitava a derrota’, sugerindo que Fachin é diferente.
Uma ala do Supremo esperava uma defesa mais contundente de colegas citados nas investigações relacionadas ao Master. Fachin, porém, preferiu reforçar publicamente a necessidade de aperfeiçoamento institucional e autocontenção do Judiciário.
O desconforto interno ganhou ainda mais força após críticas do decano Gilmar Mendes à condução da Corte. Embora a reclamação oficial tenha sido relacionada à demora para pautar processos importantes, interlocutores do STF afirmam que o incômodo é mais amplo e envolve a maneira como Fachin vem administrando a crise.
Veja as principais declarações do presidente do STF nos últimos meses, conforme apuração da emissora:
31/12
“A confiança da sociedade é construída, dia após dia, pela coerência das decisões, pela responsabilidade das ações e pela abertura permanente ao aperfeiçoamento”.
26/01
“Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um poder externo”.
27/01
“Uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer”.
02/02
“Sem embargo desses reconhecimentos, o momento histórico é também de ponderações e de autocorreção”.
09/03
“Nada será jogado para debaixo do tapete”; investigações ocorrerão “doa a quem doer”.
10/03
“No nosso país, porém, o saudável distanciamento que mantemos das partes e dos interesses em jogo é o que permite, na prática, um mínimo de justiça social”.
16/03
“Integridade na vida pública e privada, uma vez que [o magistrado] deve adotar comportamento irrepreensível na vida pública e privada”.
31/03
“Todo remédio, a depender da dosagem, pode virar veneno”.
17/04
“Quando falamos em crises, é fundamental reconhecer que efetivamente nós estamos imersos, em relação à atuação do Judiciário, é uma crise que precisa ser enfrentada, e enfrentada com olhos de ver e ouvidos de ouvir”.
11/05
“É mesmo um tempo para ressignificar o papel da magistratura e do Poder Judiciário nisso que podemos designar como o caminho que se afasta dos cálculos políticos e da ambição desmedida”.
As declarações aconteceram em meio ao aprofundamento da crise do Banco Master, que atingiu políticos, empresários e integrantes do sistema de Justiça.
O episódio passou a gerar pressão crescente sobre o STF, especialmente após revelações envolvendo relações entre personagens investigados e autoridades da República.
Nos bastidores, ministros avaliam que o Supremo atravessa um dos períodos de maior desgaste institucional dos últimos anos.
Enquanto parte da Corte cobra uma postura mais defensiva diante dos ataques externos, outro grupo entende que o momento exige mais rigor ético, transparência e mecanismos internos de controle para preservar a credibilidade do tribunal. E mais: Volkswagen surpreende ao revelar nova Tukan com camuflagem temática. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC)
