O lançamento do primeiro carro elétrico da Ferrari provocou forte repercussão negativa entre investidores e nas redes sociais. O modelo batizado de ‘Luce’ (luz, em italiano), desenvolvido com design assinado por Jony Ive, foi alvo de críticas pelo visual e pela mudança de proposta da marca italiana, conhecida por seus motores a combustão de alto desempenho.

Avaliado em cerca de € 550 mil (aproximadamente R$ 3 milhões), o veículo foi descrito por usuários da internet como “insulto à marca” e “horrivelmente decepcionante”. A reação do mercado também foi imediata: as ações da Ferrari chegaram a cair quase 8% na Bolsa de Milão após a apresentação do modelo.

Apesar das críticas, a empresa demonstra foco em um novo perfil de consumidor. Segundo dados apresentados no evento, metade dos convidados do lançamento nunca havia comprado um carro da marca — um índice muito acima da média histórica, que costuma variar entre 10% e 20%. A estratégia indica uma tentativa de ampliar o público além dos tradicionais fãs da marca.

O diretor-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, alega que o modelo foi pensado justamente para provocar reação. “As pessoas têm medo de tudo que é novo”, declarou. A proposta da empresa é atrair especialmente empreendedores de tecnologia e consumidores do Vale do Silício, segmento que até agora tinha pouca presença entre clientes da fabricante italiana.

Pela primeira vez, a Ferrari também passa a dar prioridade equivalente a novos clientes e compradores tradicionais na fila de encomendas, rompendo uma lógica histórica de exclusividade baseada na fidelidade à marca.

Em meio às críticas, parte do mercado vê a estratégia como calculada. Um analista ouvido pelo Financial Times afirmou que o desempenho comercial do modelo entre entusiastas de tecnologia é mais relevante do que a opinião dos clientes tradicionais, desde que a demanda seja suficiente para sustentar a carteira de pedidos.

O lançamento ocorre em um momento em que outras montadoras de luxo também revisam suas estratégias elétricas. A Lamborghini, por exemplo, desistiu recentemente de lançar um modelo totalmente elétrico até 2030, optando por priorizar veículos híbridos.

O Luce marca a entrada definitiva da Ferrari na era elétrica dentro de uma estratégia multienergética anunciada em 2022. O modelo não substitui os carros a combustão, mas inaugura uma nova linha dentro da marca.

O veículo traz quatro motores elétricos — um em cada roda —, potência de 1.050 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. A autonomia supera 530 km com bateria de 122 kWh, e o projeto inclui mais de 60 patentes desenvolvidas internamente.

O design aposta em uma estética futurista, com estrutura em vidro e linhas contínuas, além de interior com quatro portas e cinco lugares, algo inédito na história da fabricante. A marca também investiu em tecnologia sonora, com sistema que reproduz vibrações mecânicas de forma artificial para manter a experiência de condução mais emocional. (Foto: divulgação)

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