Poucos dias antes de ser preso pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro enviou mensagens a Alexandre de Moraes nas quais expressou profunda gratidão ao magistrado. Os registros fazem parte do material apreendido pela PF no celular do banqueiro e tiveram o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) por André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF.

A mensagem foi enviada por Vorcaro em 14 de novembro de 2025, apenas três dias antes de sua prisão preventiva. No texto, o então dono do Banco Master afirmou que manteria uma relação de proximidade com Moraes e atribuiu ao ministro um papel importante na situação que enfrentava naquele momento.

Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você“, escreveu o banqueiro.

Na sequência, Vorcaro ampliou os agradecimentos e afirmou que pessoas próximas a ele também seriam beneficiadas pela atuação de Moraes. Segundo a mensagem, familiares, funcionários, parceiros e amigos que dependiam de seus negócios teriam uma espécie de dívida com o ministro e sua família.

“Toda minha família, funcionários, parceiros amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”, completou.

Três dias depois, em 17 de novembro, Vorcaro foi detido preventivamente no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A prisão ocorreu na véspera da deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e da decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master.

O relatório da PF também descreve a maneira utilizada por Vorcaro para manter as conversas com Moraes. Em vez de enviar mensagens convencionais pelo WhatsApp, o banqueiro escrevia os textos no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens por meio do recurso de visualização temporária. O procedimento, segundo os investigadores, também era utilizado nas respostas atribuídas ao ministro.

Além das mensagens, a investigação identificou indícios de que Vorcaro e Moraes se encontraram pessoalmente em pelo menos seis ocasiões entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Os encontros fazem parte do conjunto de informações que passou a ser analisado pela PF para compreender a relação mantida entre o banqueiro e o ministro antes da prisão de Vorcaro.

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