O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente do STF, Edson Fachi, que o Plenário da Corte realize uma sessão presencial para analisar as mensagens apreendidas pela Polícia Federal que indicam uma possível interlocução entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A definição da data caberá ao presidente do Supremo, Edson Fachin.

Para Mendonça, a análise pelo colegiado é necessária diante da natureza das informações reunidas na investigação. O ministro classificou o Plenário como o “caminho inevitável” e a “instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico” os elementos apresentados pela PF.

O relator também defendeu que a discussão ocorra independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi intimada a se pronunciar sobre o conteúdo das mensagens. Segundo Mendonça, a possível presença de autoridades com foro especial entre os integrantes da suposta rede de influência atribuída a Vorcaro torna necessária a apreciação do caso pelo próprio Supremo.

Entre os elementos considerados relevantes estão mensagens nas quais Vorcaro teria pedido a um interlocutor que “Andrei e Paulo” atuassem em seu favor.

A PF interpreta as referências como possíveis menções a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O destinatário da mensagem não havia sido identificado inicialmente, mas os investigadores levantaram a hipótese de que se tratasse de Moraes.

Mendonça afirmou que eventual deliberação do Supremo deverá ocorrer de maneira “pública e transparente”, em sessão presencial. Segundo o ministro, esse procedimento seria uma exigência decorrente das regras constitucionais e do próprio funcionamento democrático e republicano da Corte.

As mensagens também mostram que, poucos dias antes de ser preso pela Operação Compliance Zero, Vorcaro buscava contato com Moraes. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, o banqueiro perguntou ao ministro se já deveria estar fora do país. O conteúdo recuperado pela PF, porém, não permite saber qual teria sido a resposta de Moraes.

Nos dias anteriores à prisão, Vorcaro também tentou marcar encontros com o ministro para tratar de assuntos relacionados aos negócios que estavam no centro da investigação.

Em uma das conversas, perguntou se o encontro estava marcado para o dia seguinte ou se seria melhor deixar para a semana seguinte. Pouco depois, confirmou que chegaria às 14h30. Na noite de 15 de novembro, voltou a procurar Moraes e sugeriu uma conversa rápida, perguntando se deveria passar na casa do ministro ou se encontrariam em outro local.

Outro ponto destacado pela investigação envolve o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. A PF identificou registros indicando que o ministro fez alterações no documento antes da assinatura.

O escritório de Viviane Barci afirma que o ministro foi consultado pelo setor de compliance exclusivamente na condição de marido da sócia-diretora. Segundo a banca, o objetivo era verificar se existiria algum impedimento legal para a contratação, incluindo eventual atuação de Moraes em processos do Banco Master que estivessem sob sua relatoria no STF. E mais: Agora: Damares articula parar Senado até saída de Moraes do STF. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Fonte: STF)

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