
No extremo norte do Alasca, a cidade de Utqiagvik entrou no último domingo (10), em mais um período do chamado “sol da meia-noite”, um dos fenômenos naturais mais curiosos do planeta. Desde então, o município passou a registrar dias completamente iluminados, sem que o Sol desapareça no horizonte. A previsão é que essa condição permaneça por cerca de 84 dias consecutivos.
Localizada acima do Círculo Polar Ártico e considerada a cidade mais ao norte dos Estados Unidos, Utqiagvik entra todos os anos nesse período de luminosidade contínua durante o verão do Hemisfério Norte. Até o início de agosto, os moradores seguirão convivendo com claridade durante as 24 horas do dia.
O fenômeno acontece por causa da inclinação do eixo da Terra, que possui cerca de 23,5 graus em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol. Durante parte do ano, o Hemisfério Norte fica mais voltado em direção à luz solar, fazendo com que áreas próximas ao Polo Norte permaneçam iluminadas mesmo durante a madrugada.
Na prática, o Sol não desaparece completamente. Em vez do movimento tradicional de nascer e se pôr, ele percorre um trajeto circular próximo à linha do horizonte, mantendo a claridade constante sobre a região.
Segundo o astrônomo João Batista Garcia Canalle, coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), a inclinação do eixo terrestre é essencial para a existência das estações do ano. “Se você tivesse um eixo de rotação perpendicular [formando ângulo de 90º] ao plano da órbita da Terra, não teríamos estações do ano. E o Sol estaria sempre no horizonte, nos dois polos, o ano inteiro”, explicou.
Além da inclinação terrestre, o formato esférico do planeta também ajuda a explicar o fenômeno. Em regiões polares, a incidência solar ocorre de maneira diferente da observada nas áreas próximas à Linha do Equador. Enquanto nos trópicos os raios solares atingem a superfície de forma mais direta, nos polos eles chegam inclinados, espalhando a energia por uma área maior.
Por isso, mesmo com o Sol visível o tempo inteiro, as temperaturas em Utqiagvik continuam baixas e raramente ultrapassam os 0°C. A luz constante não significa calor intenso, já que os raios solares atingem a região com menor intensidade.
O “sol da meia-noite” também pode ser observado em partes da Noruega, Suécia, Finlândia, Canadá, Groenlândia e Rússia durante o verão do Hemisfério Norte. O fenômeno, inclusive, inspirou a cantora sueca Zara Larsson na criação da música “Midnight Sun”, lançada em 2025.
Meses após a longa temporada iluminada, a região viverá o fenômeno oposto por volta de novembro. Durante o inverno, Utqiagvik enfrentará a chamada noite polar, período em que o Sol permanecerá abaixo do horizonte por aproximadamente 65 dias, deixando a cidade em escuridão quase total.
Os ciclos extremos de luz e escuridão nas regiões próximas ao Ártico seguem despertando interesse científico e curiosidade ao redor do mundo, além de evidenciarem como os movimentos e a inclinação da Terra influenciam diretamente o clima e a rotina em diferentes partes do planeta. E mais: Governo Lula gastou R$ 2,5 bilhões com viagens em 2025 e atinge maior nível em anos. Clique AQUI para ver. (Foto: Reprodução Vídeo)
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