
Em um cenário em que cães farejadores costumam ser os principais aliados de equipes de busca e resgate, um novo nome chama atenção nos Estados Unidos: uma lontra treinada para atuar em operações subaquáticas.
Batizada de Splash, a lontra-de-unhas-curtas-asiática, de apenas dois anos, integra uma equipe de resgate na Flórida e já participou de mais de 30 missões aquáticas, com oito localizações consideradas relevantes para investigações.
O animal faz parte da organização sem fins lucrativos Peace River K9 Search and Rescue (PRSAR), que auxilia na localização de pessoas desaparecidas ou vítimas de sequestro, comandada por Michael Hadsell, que decidiu apostar no potencial do mamífero após observar suas habilidades naturais em ambientes aquáticos.
Em entrevista, Hadsell explicou a escolha incomum ao destacar as diferenças entre espécies usadas em resgates. “O único animal que é móvel, que podemos transportar e usar em diferentes locais, e que se treina como os outros animais, como os cães e os cavalos, é a lontra. O cão pode até dar o sinal do barco, mas não consegue encontrar [as pistas] no fundo da água. E quando se trata de casos arquivados, os ossos e as evidências estão todos afundados na lama”, afirma Hadsell, em entrevista ao portal norte-americano Gulf Coast ABC.
Treinamento e habilidades sensoriais
O trabalho de Splash é baseado principalmente em suas vibrissas, os chamados “bigodes”, altamente sensíveis a movimentos e vibrações na água. Esses sensores naturais permitem que o animal identifique estímulos mesmo em ambientes escuros ou turvos.
O adestramento também inclui estímulos positivos e exercícios de associação. Segundo Hadsell, a ideia surgiu a partir de pesquisas sobre o comportamento das lontras. “Li um artigo sobre como as lontras usam o paladar e o olfato para caçar debaixo d’água. Uma ideia se acendeu na minha cabeça e comecei a pesquisar sobre isso. Treino cães farejadores há 46 anos, quão difícil poderia ser? Eu estava prestes a viver uma experiência divertida.”
Durante as buscas, Splash reage de forma característica ao encontrar possíveis evidências: retorna à superfície nadando em círculos e emitindo sons típicos da espécie. Em mergulhos acompanhados, também tenta alertar o treinador puxando sua máscara de respiração.
Em outra explicação técnica, Hadsell detalhou o funcionamento sensorial do animal: “funciona como um sistema de sonar [que mapeia e localiza objetos subaquáticos com ondas sonoras], e ele usa o que chamamos de frequência de ressonância [velocidade com que algo vibra com mais intensidade] para encontrá-lo. Ele sabe qual é a frequência de vibração ressonante de um osso humano e se concentrou nisso.”
Casos e atuação em equipe
A atuação da lontra não ocorre sozinha. A equipe de Hadsell também conta com cães farejadores, que atuam na superfície e ajudam a delimitar as áreas de busca antes da entrada de Splash na água, criando um trabalho complementar entre espécies.

Fora das missões, o animal vive em ambiente familiar ao lado do treinador e dos cães da equipe. “Splash mora conosco e tem livre acesso a tudo. Ele acorda ao nascer do sol e vai dormir comigo ao pôr do sol. Ele se dá muito bem com os outros cachorros”, compartilhou Hadsell em entrevista a Discover. “Ele se tornou um menino muito querido e é uma alegria viajar e trabalhar com ele. Ele já é um membro da equipe”, completou.
Com habilidades pouco comuns e um treinamento ainda raro em operações de resgate, Splash se consolida como um exemplo de como a interação e o elo de confiança entre humanos e animais pode ampliar as possibilidades em investigações subaquáticas, unindo sensibilidade, técnica e trabalho em conjunto em situações de busca desafiadoras. E mais: Metroviários de SP avaliam paralisação no dia 13. Clique AQUI para ver. (Fotos: Digulgação / Michael Hadsell)
