Parte dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou uma paralisação nesta segunda-feira (17) em protesto contra medidas adotadas pela atual direção do órgão, comandado pelo economista Marcio Pochmann (foto), indicado por Lula ao cargo.

O movimento foi anunciado pela Associação dos Servidores do IBGE (Assibge), entidade que representa os funcionários do instituto.

Segundo o sindicato, trabalhadores de três unidades já aderiram à greve: o núcleo estadual da Bahia e duas estruturas localizadas no Rio de Janeiro, sendo a sede e uma superintendência.

A Assibge não informou quantos servidores participam da paralisação em todo o país. Na Bahia, porém, onde o movimento começou há cerca de uma semana, a estimativa do sindicato é de que aproximadamente 40% do quadro tenha aderido.

“No que se refere à Bahia, que já está [em paralisação] há uma semana, temos avaliação de que 40% do efetivo está em greve”, afirmou Clician Oliveira, diretora da Assibge.

No Rio de Janeiro, a paralisação começou nesta segunda-feira e o sindicato ainda está levantando o número de funcionários que aderiram ao movimento. A entidade também informou que assembleias estão sendo realizadas em diferentes regiões do país para avaliar a adesão.

Outras oito unidades do IBGE estão em estado de greve, segundo a associação. Nessa situação estão núcleos localizados em Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul, além de outras duas unidades no Rio de Janeiro, nas avenidas Chile e Canabarro.

Apesar da paralisação, a Assibge afirmou que, até o momento, não há previsão de alteração no cronograma de divulgação das pesquisas e estatísticas produzidas pelo instituto.

A paralisação representa mais um episódio da crise interna que envolve servidores e a direção do IBGE desde 2024. Naquele período, a Assibge passou a contestar iniciativas da gestão de Pochmann, entre elas a criação da IBGE+, uma fundação que poderia prestar serviços e desenvolver trabalhos para empresas privadas.

O projeto acabou não avançando após a reação dos servidores e, no início deste ano, foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Mais recentemente, o sindicato passou a questionar outras decisões da direção, classificadas pela entidade como autocráticas e ilegais.

Entre os pontos de conflito estão mudanças na remuneração dos agentes de coleta de dados, alterações no regime de trabalho dos servidores aprovados no último Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e mudanças nas regras de progressão das carreiras.

A Assibge afirma ainda que a atual diretoria da entidade foi eleita em outubro do ano passado, mas não teria sido recebida por Pochmann desde então.

Em posicionamento sobre a paralisação, a direção do IBGE afirmou que as alterações questionadas pelo sindicato fazem parte de um processo de modernização institucional. Segundo o órgão, as medidas também têm como objetivos fortalecer as carreiras e organizar de maneira mais adequada as atividades dos servidores.

A direção sustenta que as mudanças não comprometem a missão institucional do IBGE e afirma que continuará trabalhando para preservar a produção das estatísticas e informações geográficas oficiais. E mais: Boleiros candidatos informam patrimônio ao TSE. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Folha de SP)

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