O mercado financeiro voltou a demonstrar maior cautela com o Brasil após a nova alta do risco país registrada no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O indicador de risco do Brasil encerrou o sábado (16), aos 124,07 pontos. O avanço do índice, utilizado para medir a confiança de investidores na capacidade de pagamento da dívida brasileira, reacendeu preocupações sobre o cenário fiscal e o rumo das contas públicas.

O avanço ocorreu dias após o CDS (Credit Default Swap) de cinco anos, mecanismo utilizado para medir a percepção de risco de um país, registrar 116 pontos, menor patamar desde fevereiro de 2020. Já no fechamento mais recente, o índice voltou a subir e ultrapassou a faixa dos 120 pontos.

Na prática, o CDS funciona como uma espécie de seguro contra um possível calote da dívida soberana. Quanto maior a pontuação, maior tende a ser a desconfiança do mercado em relação à capacidade de pagamento do país, o que também pode elevar os custos de financiamento do governo brasileiro no exterior.

A mudança no indicador acontece em meio à combinação de fatores internos e externos. Entre eles estão as preocupações do mercado com o equilíbrio das contas públicas, além da cautela global dos investidores diante das incertezas econômicas internacionais.

O indicador é calculado em pontos-base, sendo que cada 100 pontos representam 1 ponto percentual adicional de juros em comparação aos títulos públicos dos Estados Unidos. Uma das referências utilizadas pelo mercado para acompanhar esse cenário é o EMBI+ Brasil, elaborado pelo banco J.P. Morgan.

Nos últimos anos, o risco Brasil apresentou oscilações expressivas. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o menor nível foi registrado pouco antes da pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020, chegou em 91,80 pontos. Com a crise sanitária global, houve aumento da aversão ao risco e saída de recursos de países emergentes, elevando o indicador.

Já no início do atual governo, em março de 2023, o CDS se aproximou dos 280 pontos, em meio às dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro e à instabilidade provocada pela quebra do Silicon Valley Bank, nos Estados Unidos.

Apesar da recente alta, o índice ainda permanece abaixo dos níveis observados em momentos de maior tensão econômica. Ainda assim, o comportamento do risco Brasil segue sendo tratado como um dos principais termômetros da confiança dos investidores na economia do país.

O desempenho do indicador continuará no radar do mercado nas próximas semanas, especialmente diante das discussões sobre gastos públicos, metas fiscais e do ambiente econômico internacional, fatores considerados decisivos para a percepção de risco sobre o Brasil. E mais: Correios ampliam atuação para tentar frear crise bilionária. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto)

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