
O número de brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 milhão apresentou crescimento em 2025. Dados do Global Wealth Report 2026, divulgado pelo UBS, instituição suíça especializada em investimentos e gestão patrimonial, mostram que o país ganhou 9.215 novos milionários ao longo do ano.
Com isso, o total de pessoas nessa faixa patrimonial alcançou aproximadamente 386 mil, registrando avanço de 2,4% em comparação com 2024.
O estudo destaca que o crescimento não foi um fenômeno isolado do Brasil. Segundo o levantamento, a expansão do patrimônio foi observada em diferentes regiões do planeta. O patrimônio global avançou 10,8% no período, marcando o maior crescimento dos últimos anos e consolidando o terceiro ano seguido de aumento da riqueza mundial. Nos dois anos anteriores, a alta havia sido de 4,2% em 2023 e de 4,6% em 2024.
De acordo com a análise, fatores como a valorização dos mercados financeiros, o aumento do valor de ativos não financeiros — especialmente imóveis — e a perda de força do dólar frente a algumas moedas ajudaram a impulsionar o patrimônio em escala global.
O movimento contribuiu para que o mundo adicionasse quase um milhão de novos milionários em apenas um ano, elevando o total para 57,5 milhões de pessoas. Isso representa uma média de aproximadamente 2.700 novos milionários surgindo diariamente.
Cerca de 42% dos adultos possuem patrimônio líquido inferior a US$ 10 mil, equivalente a aproximadamente R$ 51,9 mil.
O levantamento também comparou riqueza média e riqueza mediana por adulto. Enquanto a média considera a soma total do patrimônio dividida pelo número de pessoas, a mediana representa a situação do indivíduo situado exatamente no centro da distribuição.
Segundo o UBS, essa segunda medida costuma refletir com mais precisão a realidade da população por sofrer menor impacto das grandes fortunas.
Os números brasileiros indicam uma diferença significativa entre os dois indicadores, sugerindo que patrimônios extremamente elevados de uma parcela reduzida da população acabam elevando a média nacional, enquanto a maior parte dos brasileiros permanece distante desses níveis de riqueza.
Outro dado analisado foi a composição patrimonial das famílias brasileiras. O estudo mostra que 73,3% da riqueza bruta está concentrada em ativos financeiros, incluindo aplicações, investimentos e ações.
O percentual supera índices observados em algumas economias desenvolvidas, como Japão e Alemanha. Em contrapartida, o Brasil também lidera quando o assunto é peso das dívidas, que correspondem a 23,4% do patrimônio bruto.
O UBS destaca ainda que possuir patrimônio milionário não significa necessariamente ter grandes quantias disponíveis em dinheiro.
O cálculo inclui imóveis, investimentos financeiros, participação em empresas, previdência e outros ativos. Em muitos casos, a valorização desses bens ao longo do tempo é suficiente para ultrapassar a marca de US$ 1 milhão, sem representar recursos imediatamente acessíveis para consumo.
Apesar do crescimento, o Brasil aparece apenas na 17ª posição entre os mercados que mais criaram milionários em termos percentuais, ficando distante dos países que lideraram o ranking, como Lituânia, Turquia, Letônia e Hungria.
No cenário internacional, os Estados Unidos continuam liderando a lista de grandes fortunas e concentraram quase metade dos novos milionários registrados em 2025, somando mais de 23,6 milhões de pessoas nessa categoria. A China ocupa a segunda posição, com cerca de 5,3 milhões. Na América Latina, o Brasil segue na liderança entre os países com maior quantidade de milionários em dólar.
Divulgado anualmente há 17 anos, o relatório do UBS acompanha a evolução patrimonial em 56 países e territórios, responsáveis por mais de 92% da riqueza global. Para elaborar o levantamento, a instituição utiliza informações de organismos internacionais, entre eles FMI, Banco Mundial, OCDE, ONU, bancos centrais e institutos nacionais de estatística.
| País | Número de Milionários |
|---|---|
| EUA | 23,6 milhões |
| China Continental | 5,3 milhões |
| Japão | 2,9 milhões |
| Alemanha | 2,6 milhões |
| Reino Unido | 2,4 milhões |
| França | 2,4 milhões |
| Austrália | 1,6 milhão |
| Coreia do Sul | 1,3 milhão |
| Países Baixos | 1,3 milhão |
| Itália | 1,2 milhão |
Fonte: UBS Global Wealth Report 2026
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