
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nessa quinta-feira (2) que o Brasil “não está à venda” ao criticar o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos para adiar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. A troca de declarações ampliou o embate político entre o Planalto e o parlamentar em torno das relações comerciais com Washington.
Nas redes sociais, Lula reagiu à iniciativa enviada por Flávio ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na qual o senador solicita o adiamento por 180 dias da possível sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras. O parlamentar argumenta que a medida poderia ter impacto político no cenário eleitoral brasileiro.
O petista afirmou que não há justificativa para a imposição de novas tarifas, “nem antes e nem depois das eleições”, e atribuiu (sem provas) a articulação à família Bolsonaro.
“O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”, declarou Lula, quando, na verdade, as atuais novas tarifas tiveram início há alguns anos, ainda sob o governo Biden, de práticas consideradas irregulares pelo Brasil junto aos EUA.
Em outra manifestação, Lula classificou o pedido de adiamento como “mais uma atitude de traidores da pátria”. Lula também afirmou considerar “inaceitável” qualquer tentativa de submeter interesses nacionais à influência externa.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, disse.
O presidente ainda afirmou que a família Bolsonaro tenta interferir em decisões econômicas internacionais e voltou a defender a soberania do sistema de pagamentos brasileiro.
“Não vão conseguir. O PIX é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, completou, sem citar que o Pix foi implantando no governo Bolsonaro, inclusive com o ex-presidente citando a medida em sua campanha eleitoral justamente contra Lula.
A disputa ocorre em meio a uma investigação do USTR baseada na chamada “Seção 301” da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que apura possíveis práticas comerciais consideradas desleais. O processo inclui temas como comércio digital, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento e pode embasar novas medidas tarifárias contra o Brasil.
Flávio Bolsonaro também se manifestou após as declarações do petista. Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que Lula é “o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros” e acusou o petista de explorar politicamente a situação.
Segundo o parlamentar, o governo brasileiro teria falhado nas negociações com os Estados Unidos e agravado o cenário ao adotar posições consideradas por ele prejudiciais ao país.
Flávio também afirmou que pretende atuar contra a implementação das tarifas em reuniões com autoridades norte-americanas, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio. Ele disse ainda que defenderá o sistema Pix nos encontros.
O senador sustenta que o Brasil estaria sendo prejudicado por decisões do atual governo e afirmou que retornará ao país na próxima semana para reforçar sua atuação junto às autoridades americanas.
Além das críticas econômicas, Flávio acusou o governo de postura inadequada em temas de segurança internacional e afirmou que o Brasil teria sofrido desgaste diplomático em razão de posições adotadas em fóruns internacionais. O Planalto não comentou as declarações mais recentes do senador. (Foto: reprodução; Fontes: O Globo; Congresso em Foco)
