
Uma alteração nas normas que regulam a produção de embutidos no Brasil provocou preocupação entre fabricantes da tradicional Linguiça Blumenau, produto típico do Vale do Itajaí reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina e protegido por Indicação Geográfica.
A controvérsia surgiu após uma orientação baseada em critérios do governo Lula, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária, para reduzir de 42% para 30% o limite máximo de gordura permitido na composição da iguaria. O setor produtivo argumenta que a mudança afeta diretamente uma das características históricas do produto e pode comprometer sua identidade original.
Representantes da cadeia produtiva reagiram à medida e iniciaram articulações com órgãos públicos para buscar uma solução.
A Linguiça Blumenau recebeu, em 2024, o reconhecimento de Indicação Geográfica concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O selo certifica a ligação histórica do produto com sua região de origem e preserva características específicas da receita tradicional desenvolvida ao longo de décadas.
Produzida há quase um século em municípios do Vale do Itajaí e do Alto Vale, a linguiça é elaborada exclusivamente com cortes suínos específicos, como paleta, pernil e toucinho. Outro diferencial está no processo de fabricação, que inclui um período mínimo de dois dias em defumadores abastecidos com carvão e serragem, etapa considerada fundamental para o sabor e a textura característicos do produto.
O setor teme que a adequação à norma do governo Lula acabe alterando justamente os elementos que garantiram o reconhecimento da iguaria. Para os fabricantes, o teor de gordura não é apenas um componente da receita, mas parte essencial da tradição herdada dos imigrantes alemães que colonizaram a região.
Além da preocupação cultural, há receio de impactos econômicos. Produtores argumentam que consumidores procuram a Linguiça Blumenau por suas características originais e que mudanças na formulação podem afetar a aceitação do produto no mercado.
A situação também cria um conflito regulatório. De um lado, a receita tradicional está protegida por normas vinculadas à Indicação Geográfica.
De outro, as novas exigências sanitárias e de qualidade podem obrigar alterações na composição. Na avaliação do setor, cumprir integralmente a nova regra pode significar descaracterizar um produto oficialmente reconhecido por sua tradição, enquanto manter a receita original pode gerar questionamentos regulatórios e sanitários.
Embora o debate esteja centrado na Linguiça Blumenau, representantes da indústria afirmam que a discussão pode atingir outros segmentos de embutidos e produtos defumados que possuem características regionais consolidadas ao longo do tempo. E mais: Com Lula, dívida pública atinge maior nível em quase cinco anos. Clique AQUI para ver.
