O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, por supostas suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.

A inclusão de Flávio ocorreu em 22 de julho e divulgada nessa quinta-feira (10/9), com a quebra de sigilo dos autos do processo.

A apuração teve origem em um pedido da Polícia Federal, posteriormente avalizado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O foco está em repasses que somam R$ 61 milhões e que teriam sido realizados por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro. A investigação busca esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.

Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos empregados na produção do filme tiveram origem exclusivamente privada.

No despacho, o ministro autorizou a instauração do procedimento para apurar supostos crimes de ‘lavagem de dinheiro’, ‘evasão de divisas’ e ‘corrupção’, entre outros delitos.

“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça.

A investigação também alcança a estrutura empresarial envolvida na produção da obra. Nesta semana, o gabinete de Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e proprietário da Entre Investimentos e Participações.

Segundo os investigadores, a empresa teria sido utilizada como intermediária para receber valores repassados por Vorcaro que seriam destinados à produção da cinebiografia. A apuração busca esclarecer como os recursos foram movimentados e qual foi sua efetiva destinação.

Flávio Bolsonaro tem negado envolvimento em qualquer irregularidade relacionada ao filme. Na quinta-feira, durante compromisso de campanha em Roraima, o senador voltou a afirmar que não houve utilização de recursos públicos na produção.

“Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”, disse o candidato. (Foto: Ag. Senado)

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