O coronel Ricardo Mello Araújo, ex-presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), afirmou que conseguiu recuperar as contas da estatal durante sua gestão e declarou que a empresa deixou de apresentar resultados positivos após sua saída.

Em entrevista, Mello Araújo disse que, ao assumir o comando da Ceagesp, enfrentou questionamentos sobre como uma empresa pública considerada deficitária poderia gerar lucro. Segundo ele, a resposta estaria no combate a desperdícios e irregularidades.

O ex-presidente afirmou que, durante os dois anos em que esteve à frente da companhia, conseguiu quitar cerca de R$ 94,5 milhões em dívidas e entregar a estatal sem débitos ao governo seguinte. Ele também declarou que os funcionários chegaram a receber participação nos lucros da empresa naquele período.

Segundo Mello Araújo, após sua saída, a Ceagesp não voltou a registrar lucro. Ele não apresentou detalhes financeiros durante a entrevista para sustentar a comparação entre os períodos.

Além de falar sobre a gestão da estatal, o coronel comentou sua decisão de deixar o cargo mesmo tendo um salário considerado elevado para o serviço público. Ele afirmou que optou por renunciar após a mudança de governo e disse que não queria permanecer trabalhando para uma administração com a qual não concordava. “Não trabalho para qualquer um

Mello Araújo afirmou que preferiu manter seu padrão de vida baseado no salário que recebe como policial militar aposentado. Segundo ele, adaptar seus gastos a uma remuneração maior poderia criar uma dependência financeira e afastá-lo de seus princípios pessoais.

O ex-comandante da Rota disse que poderia ter permanecido no cargo por motivos financeiros, como ajudar a pagar despesas familiares ou manter benefícios, mas afirmou que colocou valores pessoais acima da remuneração.

“Meu padrão é de um salário de um policial militar”, afirmou ao explicar que não queria mudar seu estilo de vida em razão de uma função temporária.

Ricardo Mello Araújo, de 53 anos, é coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo e comandou a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), considerada uma das principais unidades da corporação paulista.

Em 2020, ele foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para assumir a presidência da Ceagesp, uma das maiores centrais de abastecimento do país.

Durante sua passagem pela companhia, Mello Araújo promoveu mudanças na estrutura administrativa e nomeou policiais militares para cargos de confiança da estatal.

Antes de comandar a Ceagesp, o coronel ganhou notoriedade por sua atuação à frente da Rota e por declarações relacionadas ao trabalho policial e às diferenças de abordagem em áreas com perfis socioeconômicos distintos.

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