A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, uma declaração do rapper Mano Brown passou a ser acompanhada de perto pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cantor fez críticas à permanência prolongada da esquerda no poder e apontou dificuldades de renovação política e de conexão com as novas gerações.

A fala ocorreu durante uma conversa com a atriz Thalma de Freitas no projeto Cidade de Dentro, da Casa de Ciesca.

Ao abordar a relação entre esquerda, poder e juventude, Mano Brown afirmou: “Essa coisa de manter o poder, a manutenção do poder custou o poder, custou a base. O que que sobra para a molecada? Contestar a nós. E não votar. Ou votar na direita.”

Na sequência, o rapper fez uma reflexão sobre o cenário político atual e mencionou Lula. “Votar no cara da direita, só para atacar a nossa, só para atacar a nossa neurose, atacar os velhos, conservadores (que querem) o Lula de novo lá. É o lugar que nós estamos hoje, conservar o Lula lá de novo. Vou lutar para manter o Lula e depois?”, questionou.

O trecho começou a circular nas redes sociais e provocou atenção dentro da campanha petista.

O rapper, no entanto, é historicamente identificado com a esquerda e já declarou ser eleitor de Lula. Brown também participou de manifestações e campanhas de apoio ao petista em outras ocasiões.

A crítica de Mano Brown também guarda relação com manifestações feitas por ele em 2018, quando Jair Bolsonaro disputava o segundo turno contra Fernando Haddad (PT). Naquele período, o rapper participou de um comício no Rio de Janeiro e fez uma cobrança pública à esquerda, criticando o clima de comemoração durante a campanha e defendendo que o PT voltasse a se aproximar de suas bases.

Na ocasião, Brown argumentou que não era momento para festa e cobrou uma mudança de postura da esquerda, com maior disposição para ouvir e dialogar diretamente com a população. O episódio acabou sendo associado ao debate interno sobre o distanciamento do PT de parte de sua base eleitoral.

Agora, diante da repercussão nas redes sociais, a campanha de Lula acompanha a forma como as declarações serão interpretadas e utilizadas no ambiente eleitoral. O foco está principalmente na possibilidade de que um trecho isolado seja apresentado como uma manifestação de apoio a um candidato adversário, apesar do histórico de posicionamentos públicos de Mano Brown.

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