
O Brasil registrou em 2025 um aumento expressivo no número de leilões de propriedades rurais retomadas por credores, em meio à escalada da inadimplência no setor agrícola. Ao todo, 14.219 fazendas foram leiloadas no período, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior.
O avanço está diretamente ligado à piora das condições de pagamento no crédito rural. A inadimplência das operações agrícolas alcançou 19,6% no início deste ano, ante 5,5% registrados dois anos antes. No mesmo intervalo, o volume de dívidas problemáticas mais do que quadruplicou, chegando a R$ 171,2 bilhões.
Com cerca de um quinto dos financiamentos em atraso, instituições financeiras passaram a intensificar a retomada de ativos, inclusive com aumento de procedimentos extrajudiciais. Segundo levantamento do setor, 2.398 propriedades foram tomadas e leiloadas por esse modelo no ano passado, quase o dobro do registrado anteriormente.
A avaliação de representantes do mercado é de que o cenário reflete um momento crítico para o produtor rural. “Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado”, afirmou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, em entrevista à Reuters.
Além do endividamento, fatores climáticos têm agravado a situação do setor. As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, intensificaram perdas no campo e contribuíram para o aumento de pedidos de recuperação judicial, que subiram 56% em 2025 após já terem mais que dobrado no ano anterior.
Um estudo publicado pela revista Nature também apontou impactos relevantes de fenômenos climáticos extremos sobre a produção agrícola na região Sul.
O ambiente de juros elevados é outro fator de pressão. A taxa básica no Brasil passou de 2% há cinco anos para os atuais 15%, encarecendo o crédito e dificultando a rolagem de dívidas no campo.
“O volume de imóveis rurais aumentou bastante”, afirmou André Figueiredo, ao comentar o cenário de maior oferta de propriedades em leilão.
Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o quadro ainda não indica melhora no curto prazo. “A perspectiva para frente não é boa”, disse. Ele acrescenta que a combinação entre juros altos, incerteza sobre preços de commodities e riscos climáticos mantém o setor sob forte pressão.
A instabilidade global também contribui para o cenário de incerteza, com tensões geopolíticas recentes adicionando volatilidade aos preços das commodities agrícolas e dificultando o planejamento dos produtores. E mais: ‘Botão errado’ gerou alerta ‘bizarro’ no Nubank. Clique AQUI para ver. (Foto: PixaBay; Fonte: BPMoney)
