O vale-refeição perdeu poder de compra e, atualmente, já não é suficiente para cobrir nem metade dos dias úteis de alimentação do trabalhador brasileiro. No primeiro semestre de 2026, o benefício garantiu, em média, apenas nove dias de refeições por mês, segundo levantamento realizado pela Pluxee. No mesmo período de 2025, a cobertura média era de dez dias.

A deterioração do benefício fica ainda mais evidente quando comparada com os anos anteriores. Em 2019, o valor disponibilizado pelas empresas conseguia custear cerca de 18 dias úteis de alimentação, quase o mês todo. A pesquisa não apresenta índices para 2020 e 2021 em razão das alterações provocadas por aquele período.

Desde então, a quantidade de dias cobertos vem diminuindo: eram 13 dias em 2022, 11 em 2023, dez em 2024 e dez em 2025. Agora, a média nacional chegou a nove dias.

A situação varia consideravelmente entre as regiões do país. Roraima apresenta o menor período de cobertura, com apenas seis dias úteis. Maranhão aparece na sequência, com sete dias, enquanto Acre e Rondônia registram oito dias cada.

Na outra ponta, Minas Gerais apresenta o melhor resultado, com 13 dias de cobertura. Rio de Janeiro e São Paulo vêm logo depois, ambos com média de 12 dias úteis.

Um dos principais fatores para a redução do poder de compra está na diferença entre a evolução dos preços das refeições e o reajuste do benefício. De acordo com a pesquisa, o preço médio de uma refeição chegou a R$ 44,69, após alta de 4,3%. O valor médio concedido pelas empresas, entretanto, avançou apenas 1,5%, alcançando R$ 583,75.

Com o benefício rendendo menos, os trabalhadores também passaram a adaptar seus hábitos de consumo. O levantamento identificou que o gasto médio em restaurantes e lanchonetes ficou em R$ 43,44 por transação. Nas compras realizadas por aplicativos e plataformas digitais, a média chegou a R$ 58,61.

A diferença entre os valores indica uma tentativa de administrar melhor o benefício diante do aumento dos preços. Mesmo assim, o trabalhador precisa complementar o pagamento das refeições com recursos próprios.

“Os dados deste ano acendem um sinal de alerta inegável para a segurança alimentar do trabalhador brasileiro. O maior ponto de atenção que os números indicam é a discrepância entre a inflação e o reajuste do benefício. Enquanto o IPCA da alimentação fora do domicílio foi de 6,22%, o valor facial do vale-refeição subiu apenas 1,5%”, afirma Antônio Alberto Aguiar, conhecido como Tombé, diretor executivo de Estabelecimentos da Pluxee.

Segundo o executivo, o trabalhador precisa desembolsar atualmente, em média, 101% além do valor recebido em vale-refeição para conseguir arcar com os gastos de alimentação. Esse complemento representa aproximadamente R$ 589.

Aguiar cita o Maranhão como um dos casos mais preocupantes. No estado, a quantidade de dias cobertos pelo benefício recuou 11,3%, enquanto o valor disponibilizado aos trabalhadores também sofreu redução no período. (Foto: EBC; Fonte: Exame)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *