A reestruturação promovida pelas Casas Bahia resultou no encerramento de 298 lojas e no desligamento de aproximadamente 1,9 mil funcionários entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), segundo informações do Valor Econômico. O número de unidades fechadas corresponde a cerca de 28,7% da rede física da companhia, que contava com pouco mais de mil estabelecimentos.

A redução da estrutura afetou diferentes regiões do país. Na Bahia, por exemplo, foram encerradas unidades em importantes centros comerciais de Salvador, incluindo Salvador Shopping, Shopping da Bahia, Shopping Paralela, Shopping Barra, Shopping Piedade, Salvador Norte Shopping e Shopping Bela Vista.

Também houve fechamento de lojas em áreas tradicionais da capital baiana, como Baixa dos Sapateiros, Avenida Sete de Setembro, Manoel Dias e Cabula. Municípios da região metropolitana de Salvador e do interior do estado também registraram encerramentos.

A dimensão dos cortes provocou relatos de funcionários nas redes sociais. Em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, um trabalhador que permaneceu 21 anos na companhia publicou um vídeo comentando o encerramento da unidade e sua demissão.

“Um dia muito difícil da minha vida hoje, porque ficamos sabendo do nosso gestor, na reunião de hoje, que a Casas Bahia hoje não opera mais na cidade de Ponta Porã, né? Está fechando as portas. E pensa numa notícia triste para mim, principalmente porque foram 21 anos de Casas Bahia. E receber essa notícia não é fácil”, afirmou. Veja ao fim da reportagem.

Segundo as informações divulgadas, aproximadamente 600 empregados foram dispensados na quinta-feira. Para a sexta-feira, estavam previstos outros 1,3 mil a 1,4 mil desligamentos. Uma das fontes consultadas pelo Valor estima que o número total de demissões possa chegar a 3 mil trabalhadores.

A decisão ocorre em meio à deterioração dos resultados financeiros da varejista. Em 2025, as Casas Bahia registraram prejuízo consolidado não ajustado de aproximadamente R$ 3 bilhões, resultado que representou o triplo da perda contabilizada no ano anterior.

O cenário negativo continuou nos primeiros meses de 2026. No primeiro trimestre, o prejuízo líquido ficou próximo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025.

Diante desse quadro, a companhia vem adotando medidas para reduzir despesas e tornar sua operação mais enxuta. O fechamento de centenas de lojas faz parte desse processo de reorganização da estrutura física.

Ao mesmo tempo em que reduz sua presença nas ruas, a empresa busca ampliar a participação do comércio eletrônico. Entre janeiro e março deste ano, as vendas no canal digital cresceram 26%.

O desempenho, porém, contrasta com o movimento das lojas físicas, que registraram retração de 1,8% no mesmo período. A estratégia da companhia é, portanto, concentrar esforços nos canais digitais enquanto reduz a estrutura considerada menos eficiente.

 

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