
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, permanece como o brasileiro mais rico pelo quarto ano consecutivo, segundo o ranking de bilionários brasileiros de 2026 da Forbes. Apesar de continuar na liderança, o empresário registrou uma forte redução em seu patrimônio, que passou de R$ 227 bilhões em 2025 para R$ 162,9 bilhões neste ano.
Ao todo, o Brasil tem 255 bilionários em 2026. Juntos, eles acumulam uma fortuna estimada em R$ 1,86 trilhão. A maior parte dos integrantes da lista teve aumento de patrimônio no período analisado: 151 pessoas, ou 59,2% do total, ficaram mais ricas. Outros 77 bilionários, equivalentes a 30,2%, tiveram redução de suas fortunas, enquanto 27 mantiveram os mesmos valores.
A principal mudança entre os dez primeiros colocados foi protagonizada por Ricardo Faria (foto). O empresário, dono da Granja Faria, subiu da 21ª para a 10ª posição e viu sua fortuna crescer de R$ 19,6 bilhões para R$ 35,1 bilhões, uma valorização de 79,08%.
No sentido contrário, Carlos Alberto Sicupira foi o único integrante do top 10 a perder posições. Ele caiu do sexto para o nono lugar, enquanto seu patrimônio recuou de R$ 39,1 bilhões para R$ 35,4 bilhões.
O levantamento da Forbes utiliza informações públicas para calcular as fortunas. Entre os principais parâmetros estão as participações acionárias em empresas negociadas em bolsa, considerando as cotações de fechamento de 30 de junho de 2026.
Como bens particulares, como imóveis, aeronaves, embarcações e obras de arte, geralmente não entram no cálculo, os valores divulgados podem ser inferiores ao patrimônio efetivamente detido pelos empresários.
Confira os dez brasileiros mais ricos em 2026:
1º — Eduardo Saverin: R$ 162,9 bilhões
Aos 44 anos, Eduardo Saverin continua no primeiro lugar do ranking, posição que ocupa desde 2023. Sua fortuna caiu 28,24% em um ano, principalmente em razão da desvalorização das ações da Meta, controladora do Facebook, que recuaram cerca de 16% no período de 12 meses até junho.
Morando em Singapura desde 2012, Saverin também atua no mercado de investimentos por meio da B Capital, empresa especializada em startups. Em julho de 2026, a companhia anunciou um novo fundo de venture capital, o Ascent Fund III, com US$ 500 milhões destinados a investimentos em empresas de inteligência artificial, especialmente nos setores de saúde e energia da América do Norte e da Ásia.
2º — Vicky Sarfati Safra e família: R$ 130,6 bilhões
Vicky Sarfati Safra ocupa novamente a segunda colocação. Viúva do banqueiro Joseph Safra, morto em 2020, ela registrou aumento de 8,38% em sua fortuna, que passou de R$ 120,5 bilhões para R$ 130,6 bilhões.
Nascida na Grécia, Vicky mudou-se ainda jovem para o Brasil com a família. Após a morte de Joseph Safra, herdou aproximadamente metade da fortuna construída pelo banqueiro. Os demais herdeiros são os filhos Jacob, Esther, Alberto e David.
Vicky também atua na filantropia por meio da Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, voltada a iniciativas nas áreas de saúde, educação e artes.
3º — Jorge Paulo Lemann e família: R$ 103,5 bilhões
Jorge Paulo Lemann manteve a terceira posição, mas ampliou significativamente seu patrimônio. A fortuna passou de R$ 88 bilhões para R$ 103,5 bilhões, alta de 17,61%.
O empresário é um dos principais acionistas da AB InBev e mantém investimentos por meio da 3G Capital. Entre seus negócios está a participação na Restaurant Brands International, controladora de redes como Burger King e Tim Hortons.
No Brasil, a família também possui participação na São Carlos Empreendimentos. Em 2025, a 3G Capital voltou a realizar uma grande aquisição ao comprar a fabricante americana de calçados Skechers por aproximadamente US$ 9,4 bilhões.
4º — André Santos Esteves: R$ 66,1 bilhões
O fundador e principal acionista individual do BTG Pactual aparece na quarta posição. Sua fortuna cresceu 29,61%, passando de R$ 51 bilhões para R$ 66,1 bilhões.
O desempenho do banco contribuiu para a valorização. Em 2025, o BTG Pactual registrou lucro líquido ajustado recorde de R$ 15,9 bilhões, enquanto as ações da instituição subiram cerca de 33% nos 12 meses até 30 de junho de 2026.
Esteves entrou para a lista de bilionários em 2005, aos 37 anos, e desde então permanece entre os super ricos do país.
5º — Fernando Roberto Moreira Salles: R$ 50,3 bilhões
Acionista do Itaú Unibanco e da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Fernando Moreira Salles ocupa a quinta colocação, a mesma de 2025.
Seu patrimônio aumentou 25,12%, chegando a R$ 50,3 bilhões. Ele é o filho mais velho do banqueiro Walther Moreira Salles e mantém participação no Itaú por meio da Companhia E. Johnston de Participações.
A família também controla uma participação relevante na CBMM, líder mundial na produção de nióbio. Em uma reorganização societária realizada em 2022, Fernando ampliou sua fatia na empresa familiar.
6º — Pedro Moreira Salles: R$ 46,6 bilhões
Pedro Moreira Salles subiu uma posição no ranking e passou do sétimo para o sexto lugar. Sua fortuna avançou 22,63%, de R$ 38 bilhões para R$ 46,6 bilhões.
Assim como o irmão Fernando, Pedro possui participação no Itaú Unibanco e na CBMM. Ele também ocupou a copresidência do conselho de administração do Itaú.
Em fevereiro de 2026, anunciou que deixaria a presidência do conselho da Alpargatas para se dedicar às atividades acadêmicas na Universidade Columbia, nos Estados Unidos. O posto passou para seu filho, João Moreira Salles.
7º — Max Van Hoegaerden Herrmann Telles: R$ 38,8 bilhões
Aos 30 anos, Max Van Hoegaerden Herrmann Telles avançou quatro posições e passou do 11º para o sétimo lugar. Seu patrimônio cresceu 32,42%, alcançando R$ 38,8 bilhões.
Filho de Marcel Herrmann Telles, um dos controladores da AB InBev, Max vem ampliando sua participação nos negócios da família. Ele entrou no ranking da Forbes em 2024 e atualmente vive em Nova York.
8º — Miguel Gellert Krigsner: R$ 35,7 bilhões
Fundador de O Boticário, Miguel Krigsner permaneceu na oitava posição. Sua fortuna aumentou 4,39%, passando de R$ 34,2 bilhões para R$ 35,7 bilhões.
Nascido em La Paz, na Bolívia, Krigsner mudou-se para Curitiba ainda na infância. Formado em farmácia e bioquímica, criou em 1977 a farmácia de manipulação que posteriormente deu origem ao grupo O Boticário.
Atualmente, o conglomerado reúne marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Vult, Beautybox e O.U.i. Em 2025, o grupo registrou faturamento recorde de R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor.
9º — Carlos Alberto da Veiga Sicupira e família: R$ 35,4 bilhões
Sicupira caiu da sexta para a nona colocação, com uma redução de 9,46% em seu patrimônio. A fortuna estimada pela Forbes passou de R$ 39,1 bilhões para R$ 35,4 bilhões.
O empresário é sócio da 3G Capital e mantém participação na AB InBev. Os negócios do grupo enfrentaram dificuldades nos últimos anos, especialmente após a crise envolvendo a Americanas, ocorrida no início de 2023.
A 3G voltou a movimentar seu portfólio em 2025, quando adquiriu a fabricante de calçados Skechers.
10º — Ricardo Castellar de Faria: R$ 35,1 bilhões
Ricardo Faria foi o maior destaque do top 10 em termos de crescimento patrimonial. O empresário saltou da 21ª para a décima colocação, com uma alta de 79,08% em sua fortuna, que passou de R$ 19,6 bilhões para R$ 35,1 bilhões.
Formado em engenharia agronômica, Faria é fundador e presidente do conselho da Granja Faria, além de comandar a Insolo e a RCF Capital. A Granja Faria, criada em 2006, se tornou uma das maiores produtoras de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia do país.
A companhia possui 34 unidades produtivas e emprega cerca de 2.700 pessoas, com produção diária estimada em 16 milhões de ovos. Nos últimos anos, Faria também ampliou seus negócios internacionalmente, com a aquisição da americana Hillandale Farms, por US$ 1,1 bilhão, em 2024, e do Grupo Hevo, da Espanha, em 2025.
A entrada de novos investimentos e a valorização dos negócios fizeram de Faria o empresário que mais avançou entre os dez primeiros colocados do ranking de 2026.
