
Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (10) que pretende pedir ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma investigação contra o ministro Flávio Dino por suposta articulação política para prejudicar sua candidatura.
A declaração ocorreu durante uma live nas redes sociais, horas após a Polícia Federal deflagrar uma operação que teve entre os alvos o deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Segundo Flávio, sua defesa considera Dino suspeito para tomar decisões relacionadas ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ele também cita alegações de Karina Gama, proprietária da produtora Go Up, de que teria sido pressionada por ‘gente próxima de Dino’ para delatar o Senador.
Flávio afirmou que a operação reforçaria um alerta que vinha fazendo desde a semana passada, embora não tenha apresentado evidências de uma articulação entre o ministro e outros integrantes do STF ou do Congresso.
“A nossa defesa vai entrar com um pedido junto ao presidente do STF, Edson Fachin, para que Dino seja formalmente investigado por essa articulação política que ele tentou fazer aqui.
O Dino a partir de agora é totalmente suspeito para tomar qualquer decisão envolvendo essa questão do filme do presidente Bolsonaro”, afirmou.
A operação desta quinta-feira cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Além de Mário Frias, um dos alvos foi Karina Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pela produção de Dark Horse.
A investigação conduzida por Dino apura suspeitas de desvio de recursos públicos, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas à utilização de emendas parlamentares na produção do filme.
Flávio Bolsonaro, entretanto, não é investigado como alvo da operação. O senador aparece em uma apuração distinta, conduzida pelo ministro André Mendonça, que surgiu a partir das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo mensagens obtidas durante a apuração, Flávio teria solicitado R$ 130 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme. Desse total, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
O candidato voltou a negar qualquer irregularidade no financiamento da obra e afirmou que não houve participação de dinheiro público. A declaração já havia sido feita mais cedo, durante uma agenda de campanha em Roraima, quando classificou a operação como uma tentativa de interferência nas eleições.
“O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora, do ministro Flávio Dino sobre as eleições. Qual o fundamento dessa operação? Política”, disse.
Na mesma ocasião, Flávio afirmou que a investigação não teria impacto sobre sua campanha e voltou a defender a regularidade da produção cinematográfica.
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público. Eu já cansei de falar. Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de lado para o outro, de ponta-cabeça, aqui não vai ter nada”, declarou.
As acusações de Flávio contra Dino já haviam sido feitas em 3 de setembro. Naquele momento, o senador afirmou, sem apresentar provas, que Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teriam conversado com Dino para articular uma medida contra ele com o objetivo de provocar desgaste eleitoral.
A reunião entre Moraes e Alcolumbre realmente aconteceu. Segundo informações divulgadas pela coluna de Malu Gaspar, os dois permaneceram por aproximadamente três horas na residência do ministro, no Lago Sul, em Brasília, em 2 de setembro. O conteúdo da conversa, porém, não foi divulgado e não há comprovação de que o encontro tenha tratado de qualquer operação contra Flávio.
Na transmissão desta quinta-feira, o senador voltou a citar a reunião e associou a cronologia do encontro à operação da PF. Ele afirmou que a recondução de Andrei Rodrigues à direção-geral da corporação teria ocorrido especificamente para viabilizar a ação, mas também não apresentou provas dessa relação.
“Andrei foi reintegrado só para fazer a operação de hoje. Se você ver a data, 3 de setembro. Ou seja, dia 2 tem reunião entre Moraes e Alcolumbre, dão ok para o Dino e dia 3 ele autoriza e dá a canetada”, afirmou.
Flávio também criticou a atuação de Dino em outro inquérito que trata de emendas parlamentares. Na avaliação do candidato, o ministro estaria cobrando transparência em relação ao uso de recursos públicos, mas não demonstraria o mesmo interesse em investigações envolvendo Alexandre de Moraes.
“Esse processo, que é o novo inquérito do fim do mundo, que está com Dino, para investigar emendas parlamentares. Ele está muito preocupado com a moralidade e com a transparência. Concordo, tem que ser investigado, tem que ter transparência, tem que estar tudo certinho, bonitinho. Mas não vejo a mesma disposição do Flávio Dino para autorizar o Alexandre de Moraes a ser investigado”, disse.
A troca de acusações ocorre em meio ao agravamento das divergências no STF em torno das investigações relacionadas ao Banco Master e à Polícia Federal. Na quarta-feira, Edson Fachin suspendeu decisões tomadas por André Mendonça e Flávio Dino envolvendo o comando da PF e determinou a realização de uma sessão extraordinária do plenário na próxima terça-feira para tratar do impasse.
