
A dívida bruta do setor público brasileiro alcançou 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (31). O resultado representa o maior patamar desde 2021.
A chamada Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que reúne os débitos da União, dos estados e dos municípios, chegou a R$ 10,8 trilhões. Em maio, o indicador estava em 81,1% do PIB.
Durante os três primeiros anos e meio do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a relação entre dívida pública e PIB aumentou 10,2 pontos percentuais.
A alta do endividamento ocorre em meio ao avanço dos gastos com juros e aos resultados negativos das contas públicas. De acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), caso o ritmo atual seja mantido, a dívida bruta pode alcançar 115% do PIB em 2036.
Segundo o Banco Central, o crescimento da dívida em junho foi influenciado principalmente pelo aumento dos juros nominais apropriados, que acrescentaram 0,8 ponto percentual ao indicador, e pelas emissões líquidas de dívida, responsáveis por uma alta de 0,6 ponto percentual. A variação negativa do PIB nominal também contribuiu para o avanço, com impacto de 0,5 ponto percentual.
Além da elevação da dívida, as contas públicas registraram novo resultado negativo. O setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, valor 17,4% superior ao rombo de R$ 47,1 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
O resultado considera as contas do governo federal, dos 26 estados, do Distrito Federal, dos 5.569 municípios e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O governo central concentrou a maior parte do déficit, com saldo negativo de R$ 47,2 bilhões. Os governos regionais tiveram déficit de R$ 6,6 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram resultado negativo de R$ 1,5 bilhão.
No acumulado de 12 meses, o déficit primário do setor público consolidado chegou a R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. O número representa uma piora em relação ao resultado acumulado até maio, quando o rombo era 0,06 ponto percentual menor.
Quando são incluídos os gastos com juros da dívida pública, o chamado resultado nominal mostra uma situação ainda mais pressionada. Em junho, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões, contra R$ 108,1 bilhões no mesmo período de 2025.
Os juros pagos pelo setor público somaram R$ 110,7 bilhões apenas em junho de 2026, quase o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o valor ficou em R$ 61 bilhões.
Segundo o Banco Central, o aumento foi influenciado pelo desempenho das operações de swap cambial, que passaram de um ganho de R$ 20,9 bilhões em junho de 2025 para uma perda de R$ 9,3 bilhões no mesmo mês de 2026.
No acumulado de 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 1,3 trilhão, equivalente a 10% do PIB. Desse total, cerca de R$ 1,2 trilhão corresponde ao pagamento de juros da dívida pública, o equivalente a 8,8% do PIB.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também avançou e atingiu 68,5% do PIB em junho, totalizando R$ 9 trilhões. Em maio, o indicador estava em 67,9%.
Segundo o Banco Central, a alta da dívida líquida foi influenciada principalmente pela incorporação dos juros nominais, pelo déficit primário e por ajustes relacionados à dívida externa. Parte do impacto foi compensada pela desvalorização cambial registrada no mês e pela variação do PIB nominal.
No acumulado de 2026, a DLSP avançou 3,2 pontos percentuais do PIB, refletindo principalmente o peso dos juros nominais e do resultado negativo das contas públicas. E mais: Lula se manifesta sobre investigação contra Lulinha. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Poder360)
