
A internet via satélite vem ampliando sua presença em regiões onde a infraestrutura tradicional ainda é limitada. Nesse cenário, a Starlink, empresa de Elon Musk, consolidou sua liderança entre as operadoras de banda larga fixa nos municípios mais rurais do Brasil.
Levantamento do Poder360 com base em dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostra que a companhia responde por 12,8% dos acessos de banda larga fixa nas cidades em que mais de 75% da população vive em áreas rurais, somando 8.731 conexões ativas.
Os números indicam que a participação da empresa cresce conforme aumenta a ruralidade dos municípios. Nas cidades mais urbanizadas, a Starlink representa apenas 0,4% dos acessos. Já em localidades onde ao menos metade da população vive fora dos centros urbanos, sua fatia supera 10%.
O avanço da operadora está ligado ao modelo de internet via satélite, que reduz a dependência de infraestrutura terrestre. O serviço funciona por meio de uma antena instalada no imóvel do cliente, conectada a satélites em órbita baixa.
A expansão da rede também acompanha o ritmo de lançamentos da SpaceX. Desde 2019, foram realizadas 389 missões relacionadas à constelação da Starlink. Em maio de 2026, o sistema reunia 10.296 satélites em órbita, sendo 10.280 operacionais, segundo o astrônomo Jonathan McDowell.
Desde sua chegada ao Brasil, em fevereiro de 2022, a empresa vem registrando forte crescimento e já ocupa a 14ª posição entre as maiores operadoras de banda larga do país. No período analisado, a base de clientes avançou em média 59% ao mês, enquanto operadoras tradicionais cresceram menos de 1% no mesmo intervalo.
O custo ainda é um dos principais fatores de limitação para a expansão do serviço. O kit Mini, modelo mais acessível, custa cerca de R$ 2 mil, podendo ser encontrado por R$ 499 em algumas regiões. A mensalidade é de R$ 189.
O investimento inicial elevado levou ao surgimento das chamadas “fazendas de Starlink” em áreas remotas. O modelo reúne diversas antenas em um único ponto para redistribuição do sinal a terceiros. A prática pode ser considerada irregular quando realizada sem autorização da Anatel, já que a revenda de conexão exige licença para prestação do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM).
O levantamento também identifica divergências entre os dados da Starlink e os registros da Anatel. Enquanto a empresa afirmou ter alcançado 1 milhão de clientes no Brasil em janeiro deste ano, a agência registrava 704.761 acessos em março de 2026.
Segundo a Anatel, a diferença pode estar relacionada ao envio incorreto de informações pela operadora. Procurada, a Starlink não se manifestou até a publicação da reportagem.
Nesse cenário, a Starlink consolida sua liderança nos municípios mais rurais do país e reforça sua posição entre as operadoras que mais crescem no mercado brasileiro de banda larga. E mais: China lança ‘Plano Alimentar’ e pode atingir agronegócio brasileiro. Clique AQUI para ver. (Foto: IA / Fonte: Poder360)
