A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (26), a oitava etapa da Operação Compliance Zero e incluiu o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, entre os investigados. A ação busca esclarecer movimentações financeiras envolvendo o Rioprevidência, especialmente aportes que chegaram a R$ 3 bilhões em um banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Ao todo, os agentes cumprem dez mandados de busca e apreensão.

Segundo a Polícia Federal, a apuração deriva da Operação Barco de Papel, que já havia identificado operações consideradas suspeitas envolvendo aplicações do fundo previdenciário estadual em Letras Financeiras de uma instituição bancária privada.

Em comunicado, a corporação afirmou que “a investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024”.

A ofensiva foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça. Além de Castro, integrantes da direção do Rioprevidência também são alvo das medidas judiciais, embora os nomes ainda não tenham sido divulgados oficialmente.

As investigações apontam que, além dos cerca de R$ 970 milhões destinados às Letras Financeiras, outros R$ 2 bilhões teriam sido direcionados para fundos ligados ao Banco Master durante a administração estadual de Cláudio Castro. Os títulos foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos apenas para 2033 e 2034. Atualmente, o Rioprevidência negocia a troca desses ativos por precatórios federais.

Na avaliação da PF, as operações podem ter colocado em risco o patrimônio do fundo previdenciário, contrariando sua finalidade institucional. Os investigadores analisam possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, desvio de recursos, fraude contra investidores, associação criminosa e corrupção passiva.

Esta não é a primeira vez que o ex-governador se torna alvo de ações da Polícia Federal neste mês. No último dia 15, ele já havia sido alvo de busca e apreensão em uma investigação relacionada à chamada “ADPF das Favelas”, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O inquérito investiga possíveis supostas ‘conexões’ entre organizações criminosas e agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.

Na mesma operação, o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, foi alvo de mandado de prisão. Conforme a Receita Federal, ele é considerado o maior devedor contumaz do país, acumulando débitos superiores a R$ 26 bilhões. Como está fora do Brasil, acabou incluído na lista de procurados da Interpol.

As apurações também alcançaram integrantes do Judiciário fluminense. O desembargador Guaraci Viana, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi um dos alvos da PF. Ele já havia sido afastado cautelarmente do cargo em março, após decisão da Corregedoria Nacional de Justiça, que apontou supostas decisões consideradas arbitrárias. E mais: Itaú admite cobranças indevidas em cartões por 14 anos. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação)

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