
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam que o banqueiro acompanhava de perto os pagamentos destinados ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma conversa de março de 2024 com o sócio Ângelo Silva, Vorcaro demonstrou irritação ao descobrir que um dos pagamentos à banca estava atrasado. Ele afirmou que já havia determinado anteriormente que os depósitos não sofressem interrupções e alertou o interlocutor sobre possíveis consequências.
“Pqp, não pagaram Barci de Moraes. Surreal, vamos ter problemas“, escreveu o banqueiro após reclamar do atraso.
Silva perguntou se o pagamento seria destinado à “ADV?”, e Vorcaro respondeu determinando que o valor fosse liberado imediatamente.
Na sequência, entrou em contato com uma funcionária identificada nas mensagens como “Romy Banco Master” e classificou aquele depósito como o “pagamento mais importante”.
Em seguida, orientou: “Pode pagar sempre, sem nota, do jeito que for”. Pouco depois, a funcionária enviou a ele um comprovante de transferência no valor de R$ 3,4 milhões.
Segundo as mensagens, a cobrança pelo pagamento havia partido inicialmente do ex-deputado Fábio Faria. Em uma conversa com Vorcaro, o ex-ministro teria reforçado a necessidade de que o compromisso fosse quitado sem atraso. “Manda pagar a ele”, escreveu Faria ao banqueiro, referindo-se ao destinatário do pagamento como “careca”.
Os registros também mostram que o assunto voltou a aparecer meses depois. Em outubro de 2024, Alberto Felix de Oliveira Neto, então superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master, comunicou a Vorcaro que o pagamento ao escritório de Viviane havia sido realizado no primeiro dia daquele mês.
Vorcaro, porém, demonstrou preocupação com a forma utilizada para a transferência. Ao ser informado sobre o pagamento, orientou que os valores não fossem enviados por Pix, respondendo que esse método “não é bom”.
As mensagens fazem parte do conjunto de informações obtidas pela Polícia Federal durante as investigações sobre o Banco Master. O material passou a ser conhecido após o ministro André Mendonça, do STF, retirar o sigilo de parte do inquérito, permitindo acesso a novos detalhes sobre a relação entre Vorcaro e pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Os registros não esclarecem, por si só, a razão pela qual Vorcaro considerava aqueles pagamentos prioritários nem indicam eventual irregularidade na prestação dos serviços advocatícios. O escritório de Viviane Barci de Moraes já afirmou que os serviços contratados pelo Banco Master foram efetivamente prestados. (Foto: STF; Fonte: CNN)
