O pastor Silas Malafaia voltou a acusar Alexandre de Moraes de promover uma perseguição política e religiosa contra ele. A declaração ocorreu após a Corte formalizar a abertura de ação penal contra o líder religioso por suposta injúria contra integrantes do Alto Comando do Exército.

“É típico dele querer intimidar. Ele vai ter que me prender para me calar. Vai prender líder religioso? Vai ter que ter muita coragem”, afirmou Malafaia.

A denúncia contra o pastor foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após uma representação feita pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva. O caso teve origem em declarações feitas por Malafaia durante um ato realizado na avenida Paulista, em abril de 2025.

Na ocasião, do alto de um carro de som, o pastor criticou integrantes do Alto Comando do Exército e cobrou uma postura mais firme dos militares.

“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”.

A Primeira Turma do STF já havia decidido, em abril deste ano, tornar Malafaia réu. Naquele julgamento, os ministros rejeitaram a acusação de calúnia e aceitaram o prosseguimento da ação apenas pelo crime de injúria, relacionado a ofensas à dignidade ou ao decoro.

O entendimento pela continuidade do processo por injúria foi liderado pelo ministro Cristiano Zanin e acompanhado por Cármen Lúcia. Alexandre de Moraes e Flávio Dino ficaram vencidos nesse ponto.

Malafaia nega que tenha direcionado as declarações especificamente a Tomás Paiva. Segundo ele, a manifestação foi uma crítica genérica aos integrantes do Alto Comando do Exército. “O PGR [Gonet] apresenta a denúncia como se eu tivesse citado o comandante. E isso é uma inverdade”, afirmou.

O pastor também questiona o fato de o processo tramitar no STF, argumentando que não ocupa cargo que lhe garanta foro por prerrogativa de função.

“Em vez de me mandar para a primeira instância, me manda para o Supremo. Por quê? Se eu não tenho foro privilegiado”, questionou.

Malafaia ainda criticou a inclusão do episódio no chamado inquérito das fake news. Para ele, não haveria relação entre as declarações feitas em um ato público e a investigação conduzida no Supremo.

“O que tem a ver com fake news? Era uma manifestação em ato público. O jogo [deles] é me incriminar. É perseguição política e religiosa.”

O pastor afirma que pretende continuar se manifestando publicamente e considera que o processo representa uma tentativa de intimidá-lo. A ação penal seguirá seu curso no Supremo, onde serão analisados os argumentos da acusação e da defesa. E mais: Moraes e Dino defendem que STF volte a discutir diploma de jornalista. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)

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