A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que uma das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja encaminhada para a primeira instância da Justiça. Para o órgão, não existem autoridades com direito a foro privilegiado entre os envolvidos que justifiquem a continuidade do caso na Corte.

A palavra final caberá ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria de dois inquéritos que tramitam no STF e envolvem o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A apuração examina a possível participação de Lulinha em uma articulação para viabilizar, dentro do governo federal, um projeto relacionado à produção e comercialização de medicamentos à base de canabidiol. A empresária Roberta Luchsinger teria atuado nas tratativas junto ao Ministério da Saúde.

De acordo com a investigação, Luchsinger mantinha uma relação de amizade com Lulinha e teria desenvolvido o projeto em parceria com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como um dos principais nomes investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

A permanência do caso no Supremo ocorreu, até agora, porque mensagens analisadas pela PF fazem referência a pessoas que possuem foro por prerrogativa de função.

As investigações também apontam que Roberta realizou dezenas de visitas a ministérios e à Presidência da República entre 2023 e 2024. Ao todo, foram identificadas pelo menos 40 entradas, embora apenas uma delas tenha aparecido nas agendas oficiais disponibilizadas publicamente por autoridades, apesar da exigência de registro.

Outro personagem citado na investigação é Marco Aurélio Santana, o Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete de Lula. Segundo a PF, Roberta teria comprado joias para ele e realizado transferências que totalizaram R$ 249 mil. Marcola afirma que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal e que o montante foi posteriormente devolvido.

Durante as negociações envolvendo o projeto de cannabis medicinal, a empresária teria procurado integrantes do Ministério da Saúde para tentar avançar com a proposta. Conversas obtidas pela Polícia Federal indicam que ela dizia representar Lulinha e buscava receber uma comissão equivalente a 20% do negócio.

Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, Roberta teria utilizado a frase “Eu sou o Fábio” ao afirmar que falava em nome do filho do presidente.

As tratativas, contudo, não chegaram a resultar em contrato. Segundo as mensagens reunidas no inquérito, tanto Roberta quanto Lulinha demonstravam insatisfação com o ritmo das negociações dentro do governo.

O conteúdo de uma dessas conversas foi inicialmente divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmado pela Folha, que também teve acesso a outros diálogos. Nas mensagens, Roberta menciona a possibilidade de receber os 20% e cita o advogado Otto Medeiros como alguém que poderia ajudá-la nas negociações em Brasília.

Em uma conversa de 2024 com um ex-assessor parlamentar, a empresária afirmou que pretendia trabalhar no contrato de cannabis medicinal em conjunto com Otto. Na mesma troca de mensagens, ela disse que o advogado seria “sócio do Cassio (sic)”, em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

As conversas, porém, não apontam participação direta do ministro na negociação. Em nota, Kassio Nunes Marques negou qualquer sociedade empresarial com o advogado. Segundo o ministro, “não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento”. Ele acrescentou: “Os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF.”. E mais: Agora: Paraná Pesquisa revela disputa ao Governo e Senado em SP. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

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