
O movimento de capital estrangeiro na Bolsa brasileira perdeu força em agosto. Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros acumulam retirada líquida de R$ 7,2 bilhões no mês.
Apesar da piora recente, o resultado acumulado em 2026 continua positivo. Desde janeiro, o saldo de entradas e saídas de recursos internacionais na B3 está em R$ 33,8 bilhões.
Mas agosto já aparece como o segundo pior mês do ano em termos de fluxo estrangeiro, atrás apenas de maio. Naquele período, a saída líquida chegou a R$ 13,3 bilhões, em meio aos efeitos da instabilidade provocada pelo conflito no Irã.
A retração contrasta com o forte ingresso registrado no início de 2026. Somente em janeiro, investidores estrangeiros direcionaram R$ 26,5 bilhões para a Bolsa brasileira, volume próximo ao total registrado durante todo o ano de 2025.
Naquele momento, um dos fatores que impulsionavam o mercado era a expectativa de queda mais acentuada da taxa básica de juros brasileira. A perspectiva de que a Selic pudesse chegar à casa dos 12% aumentava a atratividade das ações em relação aos investimentos de renda fixa.
O cenário, porém, mudou. Atualmente, a projeção predominante é de apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, o que levaria a taxa para 13,75%. E provavelmente esse deve ser o limite em 2026.
Além dos juros, a Bolsa brasileira vinha se beneficiando de uma estratégia de diversificação adotada por investidores internacionais. As incertezas internacionais estimularam a busca por mercados considerados menos expostos aos riscos do lado de fora do Brasil.
O agravamento do conflito no Irã alterou essa estratégia. Diante do aumento das tensões geopolíticas, investidores passaram a reduzir posições em mercados emergentes e priorizar ativos considerados mais líquidos e seguros.
O comportamento do dólar evidencia essa mudança. O índice DXY, que acompanha a moeda americana em relação a uma cesta formada por seis moedas fortes, acumulava queda de 0,72% antes do início do conflito. Desde os primeiros ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, porém, o indicador mudou de direção e passou a acumular alta de 2,46% desde o fim de fevereiro.
A possibilidade de uma inflação mais persistente também passou a preocupar os mercados. Um cenário de pressão sobre os preços pode fazer com que o Banco Central brasileiro mantenha os juros elevados por mais tempo ou reduza a taxa básica em intervalos maiores.
Outro desafio para a B3 é a concorrência com os mercados acionários dos Estados Unidos. No acumulado de 2026, o índice S&P 500 registra valorização de 13,12%, enquanto a Nasdaq avança 14,29%.
O desempenho do Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, é bem mais modesto. O índice acumula alta próxima de 4% no ano.
Além do cenário internacional, as eleições brasileiras também começaram a entrar no radar dos investidores. Na terça-feira (11), o JPMorgan reduziu sua recomendação para as ações brasileiras de “overweight”, classificação que indica exposição acima da média, para “neutra”.
O banco apontou a volatilidade associada ao processo eleitoral como um dos fatores para a mudança de avaliação. Segundo a instituição financeira, historicamente, períodos de eleições no Brasil tendem a ser acompanhados por um desempenho inferior da Bolsa brasileira. E mais: 18 doenças passam a não precisar de carência para receber auxílio no INSS. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)
