
O Ministério Público do Estado de São Paulo ingressou com uma ação civil pública contra o influenciador digital Leonardo Marcondes, conhecido nas redes como Léo Marcondes, por publicações consideradas ‘discriminatórias’ contra pessoas pobres.
A ação foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da capital paulista e também inclui a empresa Meta, responsável por plataformas como o Instagram, onde o conteúdo foi divulgado.
Segundo o órgão, o influenciador teria promovido discursos classificados como ‘ofensivos e de aporofobia’ — termo usado para definir hostilidade contra pessoas pobres — ao defender, em vídeos publicados online, que indivíduos em situação de pobreza não deveriam ter direito ao voto.
Em nota divulgada na segunda-feira (29), o MP-SP afirmou que as falas do criador de conteúdo reforçam estereótipos e associam condição financeira à incapacidade de decisão. O órgão sustenta ainda que há elementos de discurso de ódio e violação de direitos fundamentais.
Em uma das publicações citadas na ação, o influenciador afirma: “Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”.
Em outro trecho, ele reforça a tese: “Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes”.
Para o promotor responsável pelo caso, Ricardo Manuel Castro, o conteúdo associa pobreza à incapacidade de participação política e contribui para a propagação de estigmas sociais.
O influenciador tem cerca de 1,3 milhão de seguidores no Instagram e se apresenta como treinador financeiro, oferecendo cursos e mentorias ligados à educação financeira. Ele também é fundador de um programa de eventos e mentorias baseado em Santa Catarina.
Na ação, o Ministério Público pede que a Justiça determine a remoção do perfil do influenciador do Instagram, além do pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e sociais, e a proibição de novas postagens com conteúdo considerado discriminatório.
Segundo informações divulgadas pelo portal G1, a defesa de Leonardo Marcondes afirmou que ainda não teve acesso ao processo e que só irá se manifestar após ser formalmente notificada. E mais: Lula libera R$ 520 mi para propaganda antes da eleição. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Poder360)
