Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados em seu mais recente balanço financeiro. O resultado representa uma deterioração significativa em comparação com os três primeiros meses de 2025, quando as perdas haviam somado R$ 1,7 bilhão.

O desempenho negativo ocorre em meio ao processo de reestruturação da estatal, que busca recuperar sua saúde financeira após anos consecutivos de resultados deficitários. Embora a empresa tenha conseguido reduzir parte de seus custos operacionais, a queda das receitas e o reconhecimento de novas obrigações judiciais contribuíram para aprofundar o rombo.

Um dos principais fatores que impactaram o resultado foi a inclusão de uma provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a processos trabalhistas. O valor havia sido retirado dos demonstrativos financeiros pela gestão anterior, decisão que acabou sendo alvo de questionamentos internos e de órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas da União (TCU).

O novo resultado sucede um ano particularmente difícil para a estatal. Em 2025, os Correios encerraram o exercício com prejuízo acumulado de R$ 8,5 bilhões, o maior da história da empresa. As contas permanecem no vermelho desde 2022.

Desde setembro de 2025, a companhia é comandada por Emmanoel Rondon, que assumiu a missão de conduzir um amplo plano de reorganização financeira. Como parte desse processo, os Correios obtiveram no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União, destinado à regularização de passivos e à execução das medidas previstas para tornar a empresa economicamente sustentável nos próximos anos.

Apesar dos esforços, a recuperação das receitas ainda não se concretizou. Entre janeiro e março deste ano, a receita bruta com vendas e serviços alcançou R$ 4,04 bilhões, valor 2,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando somou R$ 4,13 bilhões. A receita líquida também apresentou retração.

Entre os segmentos mais relevantes para o faturamento da estatal, as encomendas registraram queda de 5,5%, encerrando o trimestre com R$ 2,2 bilhões. Já as postagens internacionais sofreram uma forte redução de 60,3%, caindo para R$ 156 milhões. Em contrapartida, o segmento de mensagens, que engloba cartas e documentos, cresceu 11,4% e atingiu R$ 1,2 bilhão. As demais receitas avançaram 48%, chegando a R$ 465 milhões.

No lado das despesas operacionais, a estatal conseguiu reduzir os custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados em 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões na comparação anual. Os gastos com pessoal também diminuíram 4,1%, recuando de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões, mesmo após o reajuste salarial concedido aos funcionários. Segundo a empresa, o Programa de Demissão Voluntária (PDV), implantado em 2024, teve papel importante nessa redução.

Por outro lado, houve forte crescimento das despesas administrativas e gerais. A revisão da classificação de processos trabalhistas levou ao acréscimo de R$ 1,06 bilhão em provisões para perdas judiciais. Com isso, o montante reservado para ações na Justiça saltou de R$ 3,6 bilhões ao final de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março deste ano.

Segundo a própria companhia, “O aumento […] deve-se à reavaliação dos processos judiciais decorrente da evolução de seus andamentos e da atualização dos entendimentos jurisprudenciais, bem como de ajustes na classificação dos riscos e da atualização das estimativas de desembolsos futuros. Esses fatores influenciam o valor provisionado e a composição das contingências por natureza e nível risco dos processos”.

Outro ponto de pressão sobre as contas foi o aumento das despesas financeiras. O valor quase quadruplicou em um ano, passando de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões no mesmo período de 2026.

Além disso, a estatal registrou crescimento expressivo nos gastos com indenizações pagas a clientes por atrasos nas entregas. Em março deste ano, essas compensações chegaram a R$ 30,5 milhões, cifra 15 vezes superior aos R$ 2 milhões desembolsados no mesmo mês de 2025.

Os atrasos nas entregas ganharam destaque especialmente no fim do ano passado, quando o período de maior demanda do Natal foi marcado por reclamações de consumidores e impactos provocados pela paralisação de funcionários da empresa. E mais: ‘Juristas pela Democracia’ vão para cima de Flávio Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC)

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