Embora frequentemente sejam apresentadas como gratuitas para a população, diversas iniciativas mantidas pelo poder público dependem de recursos provenientes dos impostos pagos pelos contribuintes. Serviços, programas e plataformas oferecidos sem cobrança direta ao usuário exigem investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia, pessoal e manutenção, gerando despesas que são custeadas pelo orçamento estatal.

Na prática, a gratuidade para quem utiliza esses serviços não significa ausência de custos, mas sim que as despesas são financiadas coletivamente por meio dos recursos arrecadados pelo Estado.

Assim no sábado (30), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do lançamento da Tela Brasil, nova plataforma pública de streaming voltada à difusão de produções audiovisuais nacionais. O evento foi realizado durante o Rio2C, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, e contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

De acordo com o governo federal, a criação da plataforma teve custos próximos de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Os recursos foram destinados ao licenciamento de conteúdos, desenvolvimento tecnológico, ações de acessibilidade, curadoria e administração do projeto.

A Tela Brasil inicia suas atividades reunindo 555 produções, entre curtas, médias e longas-metragens, telefilmes e séries produzidos entre 1910 e 2025.

Entre os destaques do catálogo estão 19 filmes que representaram o país na disputa pelo Oscar, além de obras conhecidas do cinema nacional, como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), dirigido por Glauber Rocha, e Central do Brasil (1998), de Walter Salles.

O acervo disponível na estreia reúne 267 curtas-metragens, 139 longas, 85 médias-metragens e telefilmes, além de 64 produções seriadas. O serviço pode ser acessado inicialmente apenas pela versão web, mediante autenticação por meio da conta Gov.br. Segundo o governo petista, os aplicativos para dispositivos Android e iOS devem ser disponibilizados em até 30 dias.

A cerimônia de lançamento foi conduzida pela jornalista Cissa Guimarães em formato de bate-papo. Também participaram a primeira-dama Janja da Silva e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Márcio Elias Rosa.

Durante seu pronunciamento, Lula afirmou que é necessário ampliar o contato da população com a cultura produzida no Brasil. “A quantidade de enlatado, de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite porque não tem outra coisa pra gente ver, não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, disse.

O presidente também criticou o hábito de valorizar destinos e referências estrangeiras em detrimento das riquezas nacionais. “Por que que vai tanta gente pra Miami? Ninguém vai pra Amazônia”, declarou sem se debruçar nos reais problemas de falta de estrutura, custo e violência, que dificultam os brasileiros conhecerem o próprio país. E mais: Avião estilizado com bandeira do Brasil sobrevoa praias do Rio. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação)

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