A dívida bruta do setor público voltou a crescer e alcançou 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB), superando a marca de R$ 10 trilhões. O percentual representa o maior patamar desde junho de 2021, quando o indicador estava em 80,6% da economia brasileira. Nos últimos três anos e meio, o endividamento avançou cerca de nove pontos percentuais.

Considerada uma das principais referências para avaliar a situação fiscal de um país, a dívida pública reflete o desequilíbrio entre arrecadação e gastos governamentais. Quando as despesas superam as receitas, o governo precisa recorrer a empréstimos para financiar suas obrigações, ampliando o estoque da dívida e elevando os custos com juros.

Para o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, o elevado nível de endividamento produz efeitos diretos sobre a atividade econômica.

“A taxa de juros no Brasil é alta, entre outras coisas, por causa do elevado endividamento do setor público. Em segundo lugar, é que esse endividamento acaba impedindo o governo de realizar outros investimentos, realizar investimentos, o que prejudica o crescimento do país pela falta de infraestrutura, pela falta de segurança pública, por exemplo”, afirmou.

Ao menos as contas do setor público consolidado registraram resultado positivo em abril. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, houve superávit primário de R$ 24,6 bilhões, acima da expectativa do mercado financeiro, que projetava saldo favorável de R$ 22 bilhões.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo governo federal, que apresentou superávit de R$ 26,1 bilhões. Estados e municípios também contribuíram com saldo positivo de R$ 330 milhões. Na direção oposta, as empresas estatais registraram déficit de R$ 1,78 bilhão no mês.

O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do setor público, sem considerar os gastos com juros da dívida. Quando as receitas superam as despesas, há superávit; quando ocorre o contrário, o resultado é deficitário.

Entretanto, ao incluir os encargos financeiros da dívida pública, o cenário se altera. Em abril, o resultado nominal — que leva em conta os juros — apontou déficit de aproximadamente R$ 60 bilhões.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o setor público registrou superávit primário de R$ 31,2 bilhões, equivalente a 0,72% do PIB. Embora positivo, o resultado ficou abaixo do observado no mesmo período do ano anterior, quando o saldo havia alcançado R$ 102,8 bilhões, ou 2,5% do PIB.

De acordo com o Banco Central, parte dessa deterioração está relacionada à antecipação do pagamento de precatórios realizada pelo Tesouro Nacional neste ano. Considerando apenas o governo federal, o superávit acumulado até abril somou R$ 9 bilhões, bem inferior aos R$ 68,6 bilhões registrados nos quatro primeiros meses de 2025.

As empresas estatais continuam sendo um ponto de atenção nas contas públicas. Em abril, o prejuízo do grupo chegou a R$ 1,5 bilhão, enquanto o déficit acumulado no ano se aproximou de R$ 6 bilhões, configurando o pior resultado para o período desde 2002. E mais: Namorada de Toffoli é escolhida para chefiar nova diretoria do TSE. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto)

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