
O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, durante sabatina da CNN Brasil nesta sexta-feira (4), que a direita deverá permanecer unida em um eventual segundo turno.
Ao ser questionado se manteria o apoio ao senador Flávio Bolsonaro caso surgissem supostos elementos que o vinculassem ao caso Master, Zema destacou que sua prioridade seria derrotar um candidato de esquerda nas urnas.
“A direita vai estar unida. Vai ser exatamente igual aconteceu no Chile há seis meses. Nós vamos estar contra a esquerda, qualquer que seja o candidato. Eu já falei: prefiro votar nesse copo que está aqui ao meu lado do que em um candidato da esquerda, principalmente se for do PT, que foi quem destruiu o meu estado”, afirmou.
Na sequência, porém, o governador de Minas Gerais foi questionado sobre como se posicionaria caso um político de direita tivesse uma participação considerada grave nas investigações. Zema afirmou que não defenderia qualquer pessoa por razões partidárias e disse que eventuais responsáveis deveriam responder pelos atos.
“Quem está na direita tem que ser punido também. Eu não sou favorável [a proteger] quem está envolvido. Se tem alguém do meu partido que está envolvido, graças a Deus não tem, que seja punido também”, disse.
⚠️AGORA: Zema diz que a direita estará unida no 2º turno e afirma que prefere votar em um copo do que votar em um candidato da esquerda pic.twitter.com/iFVmdadEir
— DELATEI (@Delateinews) September 5, 2026
Durante a entrevista, Zema também direcionou críticas a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) ao comentar as revelações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O candidato afirmou que pessoas que tiveram proximidade com Vorcaro deveriam prestar esclarecimentos e ressaltou que, apesar de morar em Belo Horizonte, cidade onde o empresário teria vínculos familiares e pessoais, nunca teria se encontrado com ele.
“Quem teve proximidade com o banqueiro bandido Vorcaro precisa se explicar. Eu, morando em Belo Horizonte, que é a cidade onde ele tem domicílio, onde nasceu, cresceu, estudou e tem família, nunca encontrei com ele. Ele sequer pediu audiência comigo”, afirmou.
Zema disse ser favorável à investigação de todas as denúncias, mas fez uma ressalva sobre as informações atribuídas ao ex-banqueiro.
“Eu sou o primeiro totalmente favorável a que se apure tudo. Agora, nós temos de ver com reservas essas informações que um bandido está passando. Ele, que já enganou tanta gente, será que não está querendo enganar mais uma vez?”, questionou.
Na avaliação do candidato, haveria uma diferença entre o tratamento recebido por Vorcaro em Minas Gerais e sua suposta relação com autoridades em Brasília.
“Lá em Brasília estenderam um tapete vermelho para ele. Um ministro do Supremo se transformou em consultor jurídico do maior bandido do Brasil. É muito grave isso.”
Zema prosseguiu afirmando que ministros da Corte teriam mantido relações com o empresário. Ao abordar o assunto, citou supostos deslocamentos em aeronaves e contratos que, segundo ele, precisam ser esclarecidos.
“Os culpados de verdade, que são os intocáveis, estão querendo falar agora que tem mais gente envolvida até para tentar amenizar o seu envolvimento até o pescoço, como três ministros do Supremo que pegaram carona nos jatinhos do banqueiro bandido, que fizeram contrato com ele de toda natureza. É necessário dar uma resposta para o Brasil”, disse.
O candidato também aproveitou o tema para defender alterações na composição do STF. Ao mencionar um contrato envolvendo a esposa de Moraes, questionou a relação entre agentes públicos e negócios privados.
“As pessoas já são remuneradas. Por que têm de estar fazendo contrato de R$ 129 milhões para esposa? Já tem um senhor salário, já tem uma vida boa”, disse.
Por fim, Zema defendeu que futuras indicações ao Supremo considerem pessoas com longa trajetória profissional e sem histórico de controvérsias.
“Por isso que eu sou favorável a mudanças no Supremo e [a indicar] quem já tem 60 anos, quem tem realmente uma postura ilibada, um histórico intocável, que não foi o que aconteceu com várias nomeações”, completou Zema.
