
O Palácio de Versalhes, na França, foi palco de um novo momento histórico nessa quinta-feira (18), ao sediar a assinatura de um acordo de trégua entre Estados Unidos e Irã.
O local, conhecido por ter abrigado o tratado que encerrou a Primeira Guerra Mundial, recebeu um banquete em celebração aos 250 anos da independência americana, mas o evento acabou sendo marcado por um anúncio político de grande impacto internacional.
Antes mesmo do jantar, a programação foi interrompida quando o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou ao local com a versão impressa do acordo. O presidente norte-americano, Donald Trump, assinou o documento e comentou: “Não foi fácil”.
Pouco depois, já na madrugada iraniana, autoridades confirmaram que o presidente Masoud Pezeshkian também havia formalizado a assinatura do texto, encerrando oficialmente 110 dias de conflito.
O acordo de cessar-fogo entrou em vigor imediatamente e prevê um memorando com 14 pontos. Entre as primeiras medidas, os Estados Unidos iniciaram a suspensão do bloqueio naval contra portos e embarcações iranianas. Em até 30 dias, também deve ocorrer a retirada gradual de sanções econômicas impostas ao país.
Em contrapartida, o Irã voltou a permitir a livre circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Dados de monitoramento indicaram a passagem de três superpetroleiros sauditas pela região logo após o início da trégua.
Autoridades norte-americanas afirmaram ainda que cerca de 12,5 milhões de barris de petróleo cruzaram o estreito em apenas um dia, reforçando o impacto imediato da abertura marítima.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que o acordo também busca reduzir tensões no Oriente Médio, incluindo o cessar dos confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Apesar da trégua, relatos apontam que houve troca de ataques entre as partes no início da quinta-feira.
Outro ponto central do memorando prevê que o Irã se comprometa a não desenvolver armas nucleares e a reduzir seu estoque de material radioativo já existente. Ainda assim, permanecem indefinições sobre o futuro do programa nuclear iraniano e os mecanismos de fiscalização.
O acordo estabelece um prazo de 60 dias para novas negociações sobre os pontos em aberto. Entre as cláusulas mais controversas está a previsão de um plano de US$ 300 bilhões para reconstrução do Irã e a devolução de mais de US$ 20 bilhões em recursos congelados no exterior.
A proposta, no entanto, já enfrenta críticas dentro dos Estados Unidos, inclusive de setores próximos a Trump, que contestam o uso de recursos para financiar a reconstrução do país adversário. O presidente norte-americano afirmou que os EUA não arcarão com os custos, mas não detalhou a origem do financiamento.
Em comunicado, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que Trump firmou o acordo “por desespero”. Segundo ele, a assinatura ocorreu mesmo com divergências internas no governo iraniano.
Acordo de trégua entre EUA e Irã prevê US$ 300 bilhões para reconstruir território iraniano e devolução de fundos congelados no exterior.
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— Jornal Nacional (@jornalnacional) June 19, 2026
