
O governo Lula recusou a concessão de visto para dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a decisão ao Estadão. Os vistos negados eram destinados a Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado norte-americano.
Os dois nomes aparecem em relatos obtidos pelo jornal americano junto a autoridades dos Estados Unidos. As conversas indicavam que ambos integrariam a comitiva enviada ao Brasil, embora o propósito oficial da viagem não tenha sido informado.
Segundo a apuração do The Washington Post, integrantes do governo norte-americano pretendiam produzir um relatório que analisaria a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras. O governo americano nega veementemente que a intenção fosse essa.
Ainda de acordo com o Estadão, o governo brasileiro tomou conhecimento da iniciativa em 20 de julho, quando o Departamento de Estado solicitou os vistos ao Consulado do Brasil em Washington. A movimentação passou a ser acompanhada pelas autoridades brasileiras.
No dia seguinte, um novo episódio aumentou a atenção do governo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se com embaixadores e mencionou uma relação da Smartimatic com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anos atrás.
Formalmente, o governo dos Estados Unidos informou que a visita teria como tema discussões sobre “liberdade de expressão relacionada às eleições”. As autoridades brasileiras, porém, entenderam que a missão poderia representar uma suposta ‘tentativa de interferência’ no processo eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que sua área internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma possível visita de integrantes do governo americano. Entretanto, a Corte informou que não recebeu detalhes sobre a pauta do encontro e que a reunião não chegou a ser agendada em razão do recesso do Judiciário.
Riley Barnes (à esquerda na foto) atua como subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos Estados Unidos desde 2025. Formado em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e mestre em Relações Internacionais, ele iniciou sua carreira no Departamento de Estado em 2018.
Ao longo da trajetória, exerceu funções como conselheiro sênior para Assuntos Políticos, redator de discursos do secretário de Estado e integrante da equipe de planejamento de políticas. Também trabalhou no Atlantic Council, centro de estudos especializado em relações internacionais, e foi responsável pela redação de discursos do senador republicano John Cornyn.
Neste ano, Barnes também foi indicado por Marco Rubio para exercer as funções de Coordenador Especial para Questões Tibetanas e Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.
Já Samuel Samson, de 27 anos, ocupa o cargo de subsecretário-adjunto do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho desde maio de 2026. Antes disso, havia sido nomeado por Donald Trump como conselheiro sênior da mesma divisão no início de 2025.
Natural do Texas, Samson estudou na Universidade do Texas em Austin, onde concentrou seus estudos em teoria do direito natural e políticas públicas. Desde a juventude, tornou-se conhecido por seu perfil conservador e por sua atuação em movimentos ligados à direita norte-americana.
Durante a universidade, trabalhou como assessor do senador republicano Ted Cruz e posteriormente integrou a organização American Moment, grupo político ligado ao vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Na entidade, atuou por quase três anos, principalmente na área de parcerias estratégicas.
Nos últimos meses, Samson participou de missões na África e na Europa para promover diretrizes da política externa da administração Trump e estreitar relações com movimentos conservadores. Documentos ligados ao Departamento de Estado também passaram a refletir posições defendidas pelo diplomata em temas relacionados à tecnologia, segurança e relações internacionais.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não se manifestou oficialmente sobre a negativa dos vistos nem sobre as informações publicadas pelo The Washington Post a respeito da suposta missão ao Brasil. (Foto: reprodução; Fonte: Terra)
