A Argentina registrou um forte avanço na entrada de turistas vindos de países que não fazem fronteira com o território argentino. Entre janeiro e junho deste ano, cerca de 1,43 milhão de visitantes desse grupo chegaram ao país, segundo dados divulgados pela Secretaria de Turismo. O resultado supera o recorde anterior, registrado em 2019, quando foram contabilizados 1,38 milhão de turistas.

O desempenho chama atenção porque ocorre em um cenário bastante diferente do observado em 2023. Naquele período, a Argentina oferecia uma vantagem cambial superior a 200%, tornando alimentação, compras, entretenimento e outros serviços especialmente baratos para estrangeiros que chegavam ao país com dólares, euros ou moedas de países vizinhos.

Mesmo sem repetir aquela diferença de preços, a procura internacional aumentou. Dados das Estatísticas de Turismo Internacional (ETI), do Indec, apontam que, somente nos primeiros cinco meses do ano, quase 1,19 milhão de turistas residentes em países não fronteiriços visitaram a Argentina. O número representa uma alta de 39% em relação ao mesmo intervalo de 2023.

A participação desse grupo também cresceu de maneira significativa. Os visitantes de países não vizinhos passaram a representar 46% do turismo internacional recebido pela Argentina no primeiro semestre, contra 33% três anos antes.

O movimento foi diferente entre os países que fazem fronteira com a Argentina. Nesse segmento, o número de visitantes ficou 29% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023. Naquele ano, a combinação entre a política cambial argentina e a forte desvalorização do peso favorecia especialmente os estrangeiros que cruzavam as fronteiras para consumir no país.

O crescimento dos visitantes de mercados distantes foi disseminado por diferentes regiões do mundo. O maior destaque proporcional ficou com a categoria que reúne Ásia, Oriente Médio, África e Oceania.

Segundo o Indec, o número de visitantes desses mercados praticamente dobrou: passou de 65,8 mil entre janeiro e maio de 2023 para aproximadamente 127 mil no mesmo período deste ano, alta de 93%.

A Europa continua sendo a principal fonte de turistas entre os mercados não fronteiriços. Foram cerca de 458,4 mil visitantes nos cinco primeiros meses do ano, contra 330,3 mil no mesmo período de 2023, crescimento próximo de 39%.

Estados Unidos e Canadá, juntos, responderam por aproximadamente 329,2 mil turistas, alta de 29,5%. Já os demais países das Américas enviaram cerca de 270,2 mil visitantes à Argentina, aumento de 34,7%.

Para o governo argentino, uma das explicações para o avanço está na ampliação da conectividade aérea internacional. A política de “céu aberto”, do presidente Milei, permitiu a entrada de novas operações e o lançamento de rotas que aumentaram as possibilidades de acesso ao país.

Outro fator citado foi a flexibilização das regras para determinados visitantes. Cidadãos da China, Índia e República Dominicana que possuem visto dos Estados Unidos passaram a poder utilizá-lo para entrar na Argentina, sem a necessidade de obter uma autorização adicional e pagar uma nova taxa.

Entre as novas conexões está uma rota que liga a China à Argentina com escala na Nova Zelândia. O trecho é apontado como o voo mais longo do mundo.

A estratégia também envolve campanhas de divulgação no exterior. O Instituto Nacional de Promoção Turística (Inprotur) vem ampliando a publicidade da Argentina em diferentes mercados e plataformas digitais.

Uma das principais iniciativas é a campanha “Freedom Lives Here”, lançada no fim de setembro de 2025 e adaptada para nove idiomas. A ação alcança mais de 18 mercados, incluindo Estados Unidos, México, Colômbia, Peru, Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Países Baixos, Austrália, Nova Zelândia, Índia e China.

De acordo com o Inprotur, a campanha já acumulou cerca de 400 milhões de impressões e atingiu mais de 250 milhões de usuários únicos desde o lançamento, com média de aproximadamente 24 milhões de pessoas alcançadas por mês.

A divulgação ocorre principalmente por meio do Google Ads e da Meta, com previsão de expansão para outras plataformas. A proposta é apresentar a Argentina como um destino associado à liberdade e à segurança, características consideradas relevantes para o público internacional.

Além da campanha “Freedom Lives Here” e da iniciativa mais recente, chamada “Grandeza”, o Inprotur também vem estabelecendo acordos comerciais com companhias aéreas e grandes plataformas de viagens, entre elas Expedia e Decolar.

Os números indicam, portanto, uma mudança no perfil do turismo internacional argentino. O país vem atraindo mais visitantes de mercados distantes mesmo sem depender exclusivamente de uma grande vantagem cambial, apoiado em maior conectividade aérea, facilitação de entrada, promoção internacional e expansão da oferta turística. E mais: Angola perde a paciência com o Brasil e ameaça buscar novos investidores. Clique AQUI para ver. (Foto: redes sociais; Fonte: Bloomber Linea)

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