
André Mendonça solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma manifestação antes de decidir se Alexandre de Moraes deverá ser incluído nas investigações relacionadas ao caso Banco Master.
A solicitação ocorreu após a análise de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, que teriam sido encaminhadas a Moraes em outubro de 2025. A existência dos contatos foi inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles e pelo UOL.
Em uma das mensagens, enviada às 13h13 de 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirmou ter recebido informações de que a Polícia Federal e o Banco Central estariam se preparando para adotar medidas contra ele e o Banco Master. No texto, o banqueiro também mencionou uma possível reunião com Moraes.
“Boa, vou mudar minha ida a abu dhabi pra conseguir te ver, se voce puder na terça feira! As coisas do ponto de vista economico estao andando bem. Consegui colocar no banco 800mm ja e devem entrar mais 400mm próxima semana. E FGC começou a fazer aos poucos”, disse Vorcaro.
Na sequência, ele relatou que teria recebido informações reservadas de pessoas ligadas ao Banco Central sobre uma suposta pressão para a adoção de providências contra ele.
“O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”, prosseguiu.
De acordo com a Polícia Federal, a letra “G” citada por Vorcaro seria uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Já os nomes Andrei e Paulo seriam referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
“Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve”, concluiu o banqueiro.
Pouco depois, ainda no mesmo dia, Vorcaro voltou a enviar uma mensagem a Moraes. Ele afirmou que as informações teriam partido de funcionários do Banco Central que participaram de reuniões sobre o assunto, mas demonstrou preocupação em preservar a identidade deles.
“De pessoas de dentro do bacen que sao meus amigos e ficaram preocupados. Eles participaram das reunioes, por isso info 100%. Eu só nao posso queima los, pq tinham poucas pessoas, e saberao que eles me falaram, se isso chegar no G. Entao temos so que ter cuidado de como conduzir com o G depois”, completou.
Segundo a PF, Vorcaro utilizava um método específico para reduzir os registros das conversas. Ele redigia o conteúdo no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e encaminhava a imagem pelo WhatsApp usando o recurso de visualização única. Moraes, conforme o relatório, também respondia utilizando o mesmo procedimento.
A assessoria do Supremo foi procurada, mas Moraes não apresentou manifestação sobre o conteúdo das mensagens.
A PGR, comandada por Paulo Gonet, foi intimada na segunda-feira a apresentar, no prazo de cinco dias, sua posição sobre o material. A manifestação deverá ser considerada por Mendonça antes de uma eventual decisão sobre a inclusão de Moraes nas apurações.
O episódio acrescenta um novo elemento às investigações envolvendo o Banco Master. A PF já havia localizado as mensagens e identificado o mecanismo utilizado por Vorcaro para dificultar o registro das conversas. Até então, porém, não havia elaborado, por iniciativa própria, um relatório apontando quem seria o destinatário dos contatos mantidos pelo banqueiro. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: UOL)
