
Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu se manifestar publicamente durante o período em que esteve preso, inclusive comentando acontecimentos como a Copa do Mundo de 2018, o ex-presidente Bolsonaro (PL) enfrenta restrições mais rígidas de comunicação durante sua prisão domiciliar.
A diferença entre as duas situações passou a ser usada por aliados de Bolsonaro como argumento para criticar as medidas determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal do ex-presidente.
Lula foi preso em abril de 2018 e permaneceu detido por 580 dias após ser condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em processos relacionados à Operação Lava Jato. Bolsonaro, por outro lado, teve condenação definitiva em novembro de 2025, após o encerramento do julgamento que o apontou como líder de uma organização criminosa envolvida em uma tentativa de golpe de Estado.
Em 2021, as condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte entendeu que os processos haviam tramitado em uma vara considerada incompetente para julgar o caso e também apontou parcialidade do então juiz Sergio Moro na condução das ações.
Em março deste ano, Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar por motivos relacionados à sua saúde. Antes disso, o ex-presidente esteve detido na Superintendência Regional da Polícia Federal e em uma unidade conhecida como Papudinha.
A mudança para o regime domiciliar veio acompanhada de uma série de medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre elas está a proibição do uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, tanto diretamente quanto por intermédio de terceiros.
A decisão também restringiu o uso de redes sociais e proibiu Bolsonaro de gravar vídeos ou áudios para divulgação pública.
As medidas foram novamente discutidas após Moraes determinar, nesta segunda-feira (13), a suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai pelo período de 90 dias. A decisão ocorreu após o parlamentar divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente.
Durante sua prisão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula conseguiu manter algum nível de comunicação pública. Durante a Copa do Mundo de 2018, por exemplo, ele enviava comentários escritos sobre os jogos para a TVT (TV dos Trabalhadores), emissora ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ao Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
As análises do petista eram exibidas no programa “Papo com Zé Trajano”, apresentado pelo jornalista José Trajano. Na estreia da seleção brasileira no torneio, Lula criticou a atuação da equipe, comentou a arbitragem e saiu em defesa do atacante Neymar, afirmando que o jogador sofria forte marcação dos adversários.
Além dos comentários esportivos, Lula também divulgou cartas públicas por meio de aliados. Em abril de 2018, uma mensagem escrita por ele foi lida pela então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), na qual o ex-presidente comentou pesquisas eleitorais e o cenário político daquele ano.
Mesmo preso em Curitiba, Lula havia registrado sua candidatura à Presidência da República. Em setembro de 2018, ele divulgou uma carta anunciando sua substituição por Fernando Haddad, que assumiu a candidatura do PT e disputou a eleição contra Jair Bolsonaro.
Antes do primeiro turno, outra carta de Lula foi divulgada pedindo votos para Haddad. O petista também enviou uma mensagem para ser lida no velório do advogado e ex-deputado federal Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, após a Justiça negar autorização para que ele comparecesse ao enterro do amigo, em dezembro de 2018.
Em setembro de 2019, Lula voltou a se manifestar publicamente ao rejeitar as condições estabelecidas para sua saída da prisão.
Durante todo o período de detenção, o ex-presidente manteve seus perfis em redes sociais ativos, administrados por sua equipe. Ele também recebeu visitas de diversas personalidades, incluindo escritores e ex-chefes de Estado.
A execução penal de Lula era acompanhada pela Justiça Federal de Curitiba e não estava diretamente sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.
A comparação entre os dois períodos passou a ser um dos principais argumentos utilizados por apoiadores de Bolsonaro, que questionam a diferença entre as regras de comunicação impostas ao ex-presidente e aquelas aplicadas ao atual presidente durante sua prisão em 2018. E mais: Staff de Flávio comemora resultado de pesquisa interna. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)
